O secretário municipal de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado, declarou, nesta terça-feira (29), a administração municipal poderá ampliar o público de imunização por idade até os 43 anos já nas próximas semanas. Mas, para isso, é preciso que a capital receba mais 180 mil doses.

Machado afirmou que Minas Gerais “deve” 61 mil doses para Belo Horizonte. “Nós não recebemos nenhuma informação oficial sobre a chegada de novas doses, nem de qual imunizante virá, e nem de quantas doses virão. Então, é impossível fazer um planejamento sem ter essa informação com antecedência. A minha expectativa é que se recebermos, por exemplo, 180 mil doses, consigamos chegar aos 43 anos de idade”, declarou, em entrevista à rádio Itatiaia, nesta tarde.

Segundo ele, o avanço na imunização seria um “gol de placa” já que, ainda na análise do gestor, a ocupação de leitos em queda em Belo Horizonte “certamente se deve em grande parte à vacinação, já que as pessoas continuam se infectando, mas com quadros clínicos menos graves e que não demandam internação”.

Déficit com Estado

Na mesma entrevista, Machado comentou o impasse acerca do quantitativo de vacinas contra a Covid enviado pelo governo mineiro à prefeitura da capital - há duas semanas, ele afirmou que BH deixou de receber cerca de 50 mil doses. Nesta terça, o chefe da pasta municipal declarou que conversa “muito” com Fábio Baccheretti, secretário de Estado de Saúde, e várias coisas foram acertadas.

“Mas há ainda uma pendência”, disse, e explicou que BH vacinou mais pessoas de um mesmo público do que havia doses disponíveis reservadas e enviadas pelo Estado à PBH para esse agrupamento. Ou seja, segundo Machado, como exemplo, os dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) apontavam 3.831 idosos vivendo nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). No entanto, BH vacinou 6.391 pessoas nessa condição. “Só aí houve 2.560 doses que nós usamos e que o Estado não tinha contabilizado para BH”, afirmou.

Conforme Machado, “é por isso” que a vacinação por idade está atrasada em Belo Horizonte, quando comparada com cidades da Região Metropolitana. “Usamos doses para vacinar de acordo com o Plano Nacional de Imunização (PNI) as categorias que estavam no plano. Há um déficit de 61 mil doses que nós esperamos acertar brevemente com o Estado”, finalizou.

Nesta terça, a vacinação por idade na capital contempla pessoas com 51 anos ou mais. Em Contagem, na Grande BH, por exemplo, a imunização já está atendendo cidadãos de 47 anos ou mais. A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Saúde para obter um posicionamento sobre o suposto déficit na vacinação, e aguarda retorno. A resposta será publicada assim que for recebida.

Outro lado

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que, em relação aos critérios de distribuição de vacinas contra a Covid-19 em Minas Gerais, a ordem dos públicos prioritários a serem vacinados e os critérios para a definição do quantitativo de doses enviadas aos municípios é deliberado pelo governo federal. "Dessa forma, o estado não tem autonomia para distribuir às cidades mineiras quantitativo menor ou maior daquele determinado pelo Ministério da Saúde", disse.

Ainda segundo a pasta, em cada remessa de vacinas também é recebido um informe técnico com a quantidade de imunizantes disponibilizada para a unidade federativa, as estimativas populacionais das cidades e o percentual do grupo prioritário que será atendido.

"Paralelamente a isso, a SES-MG envia aos municípios os formulários para que adequem as estimativas de cada população priorizada na etapa de vacinação, com o objetivo de obter dados que se aproximem ao máximo possível da realidade de cada município", informou a nota.

"Conforme descrito na página 5, da 25ª Nota Informativa, a base de distribuição de vacina que o Ministério da Saúde utiliza para dimensionar o público de pessoas idosas (igual ou superior a 60 anos) residentes em instituições de longa permanência (institucionalizadas) – ILPI foi o Cadastro do Sistema Único da Assistência Social - SUAS, 2019 - CadSUAS + margem de erro considerando instituições privadas não registradas", complementou a secretaria.

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