O número máximo de alunos por sala de aula na retomada do ensino presencial para crianças com mais de 6 anos deverá ser definido nesta quarta-feira (16) pela Prefeitura de Belo Horizonte. A volta está programada para ocorrer já na próxima segunda-feira (21), mas a Defensoria Pública tenta chegar a um acordo para modificar a proposta da administração municipal.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Smed), até então, a definição é para que estudantes de 6 a 8 anos da rede pública retomem o aprendizado gradualmente, por meio de "microbolhas", compostas por seis crianças em cada turma. Cada grupo frequenta a sala duas vezes por semana, durante três horas naquele dia. Na rede particular, a ideia é a mesma: o que muda é a idade máxima permitida, que vai até os 12. O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep) já declarou ser contra o formato.

Já a Defensoria Pública pede a retomada com metade dos alunos da turma em formato presencial e a outra parte em meio on-line, com revezamentos semanais. O assunto será debatido pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19 nesta quarta-feira e uma posição, conforme determinado pelo órgão, deve sair até as 18 horas. Se não houver definição, a Defensoria pretende buscar uma solução na Justiça.

No mais recente encontro entre a prefeitura, a Defensoria e representantes de trabalhadores da Educação, na segunda-feira (14), a Defensoria explicou que algumas propostas em discussão foram aprovadas, como a diminuição do distanciamento mínimo de 2 metros para 1,5 e a adoção de um fluxo de testagem rápida de professores e alunos.

Em nota, a Smed declarou que "é preciso planejar o retorno de atividades presenciais de forma gradual e segura, com base em evidências científicas". Além disso, informou que a estratégia para aulas 50% on-line e 50% presencial ainda está sendo analisada pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19.

O retorno às aulas presenciais na capital mineira teve início em 3 de maio deste ano na rede municipal para crianças de até 5 anos. Já nas escolas particulares, a volta ocorreu uma semana antes, em 26 de abril.

Sindicato defende aula semanal

De acordo com Zuleica Reis, presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG), a proposta apresentada pela Defensoria à prefeitura é a mesma que anteriormente foi defendida pela entidade. Ou seja, para o sindicato, neste momento, as unidades precisam otimizar o tempo para receber os alunos em BH.

Segundo ela, com retorno em 21 de junho, as escolas terão apenas 19 dias úteis até o término do primeiro semestre letivo. "Não vale a pena esse desgaste todo em 'bolhas'. Não acreditamos nessa logística. Nós temos turmas que, se formos fazer bolhas de 6 alunos, alguns deles irão na unidade só uma vez em 19 dias de aula", diz a presidente do Sinep.

Além de defender aulas híbridas, Zuleica propõe que alunos do 6º ao 9º ano, e o ensino médio, possam retornar em 2 de agosto. "Já preparamos em junho e julho toda a infraestrutura e logística para receber os alunos. A prefeitura terá tempo também para isso e nós voltaríamos com todos a partir de agosto".

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