A Prefeitura de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), está abandonada. Funcionários da assessoria de imprensa foram afastados do cargo e, no gabinete do prefeito Gilberto da Silva Dorneles (PSD), a informação era a de que ele estava em agenda externa. Tanto o chefe do Executivo quanto secretários, como das pastas de Meio Ambiente e de Saúde, estavam incomunicáveis, com os celulares desligados.
 
Eles foram procurados nesta sexta-feira (28) pela reportagem do Hoje em Dia para falar sobre a interrupção de serviços essenciais. A coleta de lixo inexiste em vários bairros e postos de saúde estão fechados neste período de festas, deixando muitos moradores desassistidos. Após perder as últimas eleições, o prefeito é acusado de ter “jogado a toalha”.
 
A dona de casa Marlene Alves Ferreira, de 77 anos, não se lembra da última vez em que o lixo foi coletado na rua onde mora, no bairro Frimisa. Na calçada, diversos sacos amontoados denunciam que o período de “abstinência” é longo. “Às vezes, coloco tudo para dentro para evitar que os cachorros espalhem, mas aí fede a casa inteira e tenho que botar na rua de novo”, conta.
 
Um problema que não é isolado. No bairro vizinho, o Ponte Pequena, o lixo foi acumulado em uma área verde, em frente à igreja, pelos próprios funcionários da coleta. Formar a pilha de sacos foi o máximo que fizeram. “Colocaram aqui, mas não levaram. Foi só pra iludir a gente mesmo. Tinha tanto lixo na minha casa que tive que queimar parte na quarta-feira porque não aguentava mais o mal cheiro”, afirma a cozinheira Maria da Penha Freitas, de 56 anos.
 
A última vez que o caminhão de lixo foi visto por moradores do Ponte Pequena foi no fim do mês passado. No Palmital, o veículo até passa raramente, mas nem todo o resíduo, que entope as lixeiras e calçadas, é recolhido. “Nós é que temos que fazer o trabalho da prefeitura. Limpamos a porta dos comércios e até desentupimos os bueiros”, explica o ambulante Raimundo Fernandes Filho, de 46 anos.
 
Postos fechados
 
Com tanto lixo nas ruas, o risco de contágio de doenças aumenta, mas nem adianta correr para os postos de saúde. Todos estão fechados desde o início da semana e só devem reabrir no dia 2 de janeiro.
 
Abandono é o termo mais usado por todos para definir a atual situação do município. “Ninguém explica nada na prefeitura. Aliás, nem tem gente lá”, diz Maria da Penha. 
 
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