A três dias de mais um feriado prolongado, o alerta dos médicos é único, e para todos: fiquem em casa! Nem mesmo quem tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19 deve viajar durante o Corpus Christi, pois os impactos negativos do passeio poderão ser percebidos daqui a duas semanas, com nova sobrecarga nos hospitais.

Em recessos recentes, festas e aglomerações em destinos turísticos aumentaram as contaminações e até mortes provocadas pelo vírus, conforme as próprias autoridades. Agora, o risco é ainda maior devido à circulação de variantes mais agressivas. 

“As aglomerações têm mostrado que elevam as taxas de contágio, internação e óbitos. Desde o Natal a gente tem experimentado isso”, lembra o infectologista Estevão Urbano, do Comitê de enfrentamento à Covid-19 em Belo Horizonte.

O especialista reforça que a blindagem contra o vírus não dá aval para descuidos. “Os vacinados com duas doses devem ter os mesmos cuidados. O feriado é extremamente preocupante, além de todos os problemas inerentes a ele”. 

A nova cepa indiana do coronavírus, detectada em Minas semana passada, é uma das quatro consideradas de maior atenção no mundo. Além da variante do país asiático, outras 19 estão em circulação no Estado, o que faz com que os alertas sejam redobrados. 

“É um fator preponderante. Esses feriados costumam ser catalizadores da disseminação nacional de novas cepas. E essa, inclusive, com o potencial de ser mais agressiva, mais infectante, podendo gerar novo caos”, avalia o infectologista.

Colapso na saúde
O risco de mais um colapso no sistema de saúde é endossado pelo também membro do comitê de enfrentamento à doença na capital, o infectologista Unaí Tupinambás. Segundo ele, o possível impacto será percebido ainda em junho.

“Em todo feriado a gente observou que de 15 a 21 depois houve um aumento do número de casos e, consequentemente, a ocupação de leitos crescia. Isso desde o ano passado. Então a gente tem que entender que é um risco, mesmo com avanço da vacinação”, disse o médico, que lembrou da situação atual das unidades de saúde:

“Os leitos não desocuparam como a gente queria que desocupassem. Então, se mais casos surgirem, não teremos como colocar mais pacientes em leitos. Vai ser outro colapso”, afirmou. 

Como forma de evitar o pior, os especialistas pedem que as pessoas mantenham o isolamento social, com uso das medidas de proteção, como as máscaras. E para quem fica, nada de promover festas na casa de conhecidos.

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