A segunda etapa de uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) - que analisa a resposta imunológica após a vacinação contra a Covid-19 em profissionais da área da saúde do Hospital da Baleia, em Belo Horizonte - apontou que 99,6% das pessoas apresentaram anticorpos contra a doença, após 60 dias de aplicação da primeira dose do imunizante. 

De acordo com o hospital, na primeira fase, realizada em março e 30 dias após a primeira dose, o índice era de 89% dos funcionários com soroconversão detectável. “Este foi um resultado excelente e, ao mesmo tempo, esperado. Pois sabemos que a vacina administrada demora um tempo para desenvolver a resposta imunológica e para que essa resposta passe a ser detectável nos testes”, explicou a pesquisadora da Fiocruz, Rafaella Fortini.

A análise é feita com 1.574 voluntários e, desse total, apenas o resultado de quatro voluntários mostrou-se não reagente. “Essas pessoas continuarão sendo acompanhadas para que possamos entender porque os testes não estão sendo capazes de detectar a resposta imunológica em algumas poucas pessoas vacinadas. Estamos avançando para outros padrões de testagem”, revelou a estudiosa.

Os exames envolvem a análise de uma amostra (geralmente sangue, soro ou plasma) para apontar a presença ou quantidade de um anticorpo - que são proteínas que protegem as pessoas contra vírus, bactérias, substâncias químicas e toxinas - produzido pelo sistema imunológico. O levantamento possibilita não apenas dimensionar a intensidade e duração das respostas dos anticorpos, mas também investiga a capacidade de neutralização do vírus.

Esses voluntários serão acompanhados por dois anos para identificar a manutenção da resposta protetora ao longo do tempo. Semanalmente, eles são acompanhados pela Fiocruz e, até o momento, 12 pessoas apresentaram sintomas suspeitos para a Covid-19. Eles realizaram o exame de PCR e todos deram negativo. 

Caso surja algum teste positivo para o novo coronavírus, a Fiocruz fará o sequenciamento para análise e identificação de variantes.

Leia Mais:
Covid-19: Brasil tem 16,2 milhões de casos e 454,4 mil mortes
Afrouxamento de medidas restritivas e novas cepas estão provocando avanço da Covid, afirma ministro
Pesquisa da UFMG já identificou 68 bebês nascidos com anticorpos da Covid-19 em Minas