O delegado Alexandre da Fonseca, responsável pela investigação da morte da mulher de um promotor de Belo Horizonte declarou que o corpo da vítima chegou ao Instituto Médico-Legal (IML) "quase sem sangue". Segundo ele, esse fato, aliado à desconfiança da família de que a parente não veio a óbito acidentalmente ou por suicídio, levantou a hipótese de feminicídio.

As declarações sobre o inquérito policial foram dados por Alexandre à Rádio Itatiaia, que divulgou o conteúdo nesta sexta-feira (14). O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) concluiu a investigação e denunciou à Justiça o ex-marido da vítima, um promotor, por assassinato da esposa. Ele está preso preventivamente na capital. O crime ocorreu em 2 de abril. 

De acordo com o delegado, o primeiro ponto que chamou atenção no caso foram as dúvidas dos familiares sobre como teria ocorrido o óbito da mulher. "A família diz que ficou muito desconfiada com a morte e principalmente quando tiveram a notícia que ela ia ser cremada logo após. A família procurou contatos, através de amigos. Eu vi que havia ali um potencial feminicídio", contou.

Em seguida, a chegada do corpo ao IML, praticamente sem sangue, aumentou o questionamento. Segundo Fonseca, o fato dificultou os trabalhos da perícia, que precisou usar uma técnica de espremedura do baço para conseguir amostras sanguíneas.

"Essa é uma questão que intriga a todos. Os médicos tiveram muita dificuldade de colher material de sangue para fazer os exames toxicológicos e de teor alcóolico", declarou o delegado. De acordo com o investigador, o ex-marido fazia parte de rituais religiosos ocultistas, o que levou a equipe, incluindo Fonseca, a se benzerem. "Essas questões de ocultismo assustam a todos. Ele é ligado a essas questões religiosas de cunho espiritual. Na investigação, surgiram alguns fatos, mas as provas não foram contundentes para ligar a esse fato. Não só eu, como todos da equipe. O pessoal procurou se proteger da sua forma", disse.

O responsável pelas apurações também afirmou à Itatiaia que a vítima estava viciada em morfina, medicação analgésica opioide, com dosagem até quatro vezes maior do que o prescrito para ela. Segundo o delegado, a investigação comprovou que o ex-marido colocou adesivos de 40 miligramas (mg) da substância nas costas da mulher. "Ela tinha cada vez mais necessidade de morfina", disse.

O Hoje em Dia tenta contato com o advogado do promotor, mas ainda não obteve sucesso. À Rádio Itatiaia, a defesa do suspeito afirmou que "em hipótese nenhuma pode ser atribuída a ele ou pessoa próxima situações de rituais ou cultos que possam revelar procedimento relacionado ao sumiço do sangue".

Ainda de acordo com a defesa, o fato não está esclarecido pelo médico-legista, que ainda atendem aos quesitos da acusação. "Daqui a pouco teremos as teses das defesas", declarou.

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