Um estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com duas instituições internacionais indica que as crianças com Covid-19 são mais frequentemente infectadas pelos adultos do que atuam como transmissoras da doença. A pesquisa foi realizada em uma comunidade do Rio de Janeiro, entre maio e setembro do ano passado.

O trabalho, feito em conjunto com a Universidade da Califórnia (UCLA) e a London School of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM), envolveu 667 participantes em 259 domicílios. Conforme uma prévia do artigo com os resultados divulgada nesta segunda-feira (10) pela fundação - a íntegra ainda será publicada na revista americana Pediatrics -, 323 eram crianças, 54 adolescentes e 290 adultos. 

Testes PCR e de sorologia detectaram que 45 crianças com menos de 14 anos foram infectadas pelo coronavírus, sendo que 26 delas tiveram contato com um adulto também positivo e 19 com sintomáticos que não consentiram em fazer o exame. A pesquisa observou, também, uma proporção maior de bebês com menos de um ano infectados em comparação com outras idades.

A hipótese dos pesquisadores era de que, se a transmissão ocorre principalmente de adultos e adolescentes para crianças, eles teriam um pico de prevalência de anticorpos primeiro em relação aos outros, o que foi confirmado na análise. “As crianças incluídas no estudo não parecem ser a fonte da infecção de Sars-CoV-2 e mais frequentemente adquiriram o vírus de adultos”, diz um trecho do artigo publicado pela Agência Fiocruz de Notícias. 

Segundo os cientistas, as crianças incluídas nos testes não seriam a fonte da infecção e foram contaminadas por adultos mais frequentemente. “Em cenários como o estudado, escolas e creches poderiam potencialmente reabrir se medidas de segurança contra a Covid-19 fossem tomadas e os profissionais adequadamente imunizados”, diz o texto.

Os autores destacam, no entanto, que os resultados não consideram as novas variantes da Covid que circulam no país. Eles ponderam que, como os testes foram realizados em um período em que as escolas estavam fechadas, os adultos podem ter tido um papel  propagador mais importante, pois continuaram expostos ao vírus ao sair para trabalhar.

Vacinação

Como crianças, em geral, são pouco sintomáticas e tendem a seguir menos os protocolos sanitários e o distanciamento social, elas poderiam ser uma fonte de transmissão, o que motivou muitos países a fechar as escolas. Porém, os estudiosos acreditam que é necessário compreender o papel dos pequenos na dinâmica de contágio para o desenvolvimento de diretrizes de volta às aulas presenciais.

Segundo o artigo, se pelo menos 85% das pessoas suscetíveis a se infectar precisam ser vacinadas para conter a pandemia, é necessária a inclusão das crianças nas campanhas de imunização, já que pessoas com menos de 18 anos representam 25% da população brasileira. “Se os adultos forem imunizados e as crianças não, elas podem continuar a perpetuar a epidemia”, diz outro trecho.

*Com informações de Agência Brasil e Agência Fiocruz de Notícias

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