Festas e eventos com aglomerações, uso de máscara não obrigatório. O que parece ser um mundo paralelo em meio à pandemia da Covid-19, que já infectou mais de 1,3 milhão de pessoas no Estado, é realidade para alguns mineiros. Após o enfrentamento eficiente ao coronavírus, a Austrália já colhe os frutos do isolamento social e do respeito ao protocolo sanitário, e a vida como era antes torna-se cada vez mais próxima.

bárbara guerra

Bárbara em um recente evento de surf com o campeão brasileiro Gabriel Medina

Quem conta é a jornalista belo-horizontina Bárbara Guerra, de 23 anos, que mora no país há pouco mais de um ano. Com o objetivo de estudar e aperfeiçoar o inglês, a jovem se mudou para Gold Coast, e por lá, a rotina praticamente “voltou ao normal”. Segundo ela, as ações para conter o avanço do vírus foram tomadas bem cedo, ainda em 2020. “Quando foi falado que não era para sair, só para coisas essenciais, as pessoas cumpriam. E sempre tinha fiscalização”, lembra.

Por conta do comprometimento da população, as festas já foram liberadas pelas autoridades australianas. Ainda assim, mesmo com a circulação do vírus controlada, o cuidado continua. “Podíamos ir na festa, mas todo mundo tinha que ficar sentado. Depois, teve a fase que podíamos ficar de pé, mas não nas pistas de dança. Hoje, já podemos dançar e fazer tudo”, contou.

Além disso, existe um monitoramento da circulação das pessoas. Ao chegar em locais mais cheios, é necessário fazer um cadastro para confirmar a presença. Assim, caso alguém que tenha frequentado o lugar seja diagnosticado ou tenha suspeita de Covid, é possível alertar aqueles que estiveram no mesmo ambiente. “Comunicam todo mundo para fazer o teste e ficar em casa até o resultado sair”.

Poucas restrições

No Canadá a situação não está tão avançada, mas a blindagem é a mesma, bem diferente do Brasil. Natural de Santa Luzia, o assessor de imprensa Felipe Santana Rick, de 38 anos, conta que as restrições continuam, mas focadas nos grandes centros, como Montreal e Quebec. Em Gaspé, cidade turística em que mora com a família, os restaurantes já funcionam, mas com limites de pessoas. “Quem vem de outras cidades não pode se sentar à mesa, tem que pegar a comida para levar”, disse. 

Felipe Santana Rick

Felipe, Viviane e a filha Eliza moram em Gaspé, cidade turística com rigorosos protocolos sanitários

Em janeiro, alguns meses após o nascimento da filha, ele e a esposa decidiram vir ao Brasil encontrar os familiares. No retorno, ao fazer a baldeação em Toronto antes de voltar para casa, era necessário ficar em isolamento em um hotel. Como já eram moradores do país e apresentaram um teste negativo para o coronavírus, puderam seguir viagem. “Fomos obrigados a fazer a quarentena de 14 dias dentro de casa. Tem um aplicativo que temos que entrar todo dia e reportar se sentimos algum sintoma”.

Vacinação

Para alguns mineiros, a proteção contra a doença já é realidade com a vacinação em massa. Maria José Rocha de Gomes Ferreira, de 86 anos, recebeu a dose no início do ano. Com visto permanente para residência nos Estados Unidos, a aposentada já tomou o reforço do imunizante da Pfizer após agendamento pela internet. Ela apenas precisou ser levada pelo filho a um salão de festas de um condomínio em Hollywood, na Flórida, que cedeu a área. Após o procedimento, ficou 15 minutos na parte externa para garantir que não iria se sentir mal.

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