Bares e restaurantes voltaram a receber clientes nesta quinta-feira (22), após nova flexibilização do comércio em Belo Horizonte. Com dívidas acumuladas desde o ano passado, o foco agora é colocar o caixa em dia para manter o negócio funcionando.

Para pagar as contas, o empresário José Francisco da Costa Neto, de 41 anos, dono de um estabelecimento na rua Goiás, no Centro da capital, precisou cortar as despesas e dispensar metade dos funcionários. Com a reabertura, a expectativa é reaver pelo menos 50% do faturamento. "É a oportunidade para tentarmos colocar as contas em dia", afirmou.

Diante do baixo poder de compra da população por conta da crise econômica, a solução foi apostar em novos produdos e nas promoções para atrair a clientela. Antes, o foco estava nos sanduíches de pão de queijo, mas agora há opções de massas e saladas, além dos pratos exclusivos do dia. O delivery, por outro lado, principal fonte de renda do último mês, não foi a solução. "É mais para manter o cliente do que para pagar as contas", garantiu José.

Para manter as atividades, o proprietário adquiriu empréstimos bancários. Agora, as cobranças chegaram. Mesmo assim, a esperança é que as vendas cresçam. "A expectativa tem que ser boa, se não vamos falir como muitos outros", disse.

Pouco movimento

Na lanchonete gerida por Ana Patrícia Corrêa da Silva, de 41 anos, na avenida João Pinheiro, também no hipercentro de BH, o movimento ainda é fraco, pois boa parte do público segue trabalhando de casa. A solução foi expandir as opções, deixando de servir apenas lanches e vendendo refeições também.

"Não acredito que vá melhorar de imediato. Muita gente perdeu o emprego, tem muita gente que era cliente nosso e hoje não é mais, justamente porque a renda diminuiu", disse a gerente. Segunda Ana, a perspectiva para o aumento das vendas é de médio a longo prazo, visto que muitos clientes eram os alunos das universidades próximas, sem aulas presenciais há mais de um ano.

"Temos quatro faculdades, que ainda não voltaram, e o pessoal do prédio aqui, que é comercial", acrescenta.

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