Quarenta dias fechada. Desde 6 de março, Belo Horizonte autoriza apenas o funcionamento de serviços considerados essenciais. A medida, que buscava reduzir o avanço da pandemia da Covid-19, trouxe resultados positivos. Durante o período, a cidade viu índices de transmissão e ocupação de leitos diminuirem, mesmo que de forma lenta. Por isso, na tarde desta quarta-feira (14), o Comitê de Enfrentamento à doença na capital se reúne com prefeito Alexandre Kalil para discutir uma possível flexibilização.

A reunião é vista com ansiedade por entidades que representam os comerciantes da metrópole. O setor cobra a reabertura das atividades e pede “bom senso” da prefeitura. "Os índices estão baixando, o Rt está em queda acentuada, a ocupação de UTIs está começando a diminuir e as enfermarias já diminuíram. A prefeitura precisa entender que o comércio não suporta mais ficar fechado", afirma o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel/MG), Matheus Daniel.

Segundo ele, 90% do setor não conseguiu pagar o salário de março. O representante acredita em um retorno a partir de segunda-feira. "Creio que hoje não terá anúncio nenhum, mas talvez na sexta-feira eles façam um anúncio para a retomada”, acrescenta Matheus Daniel.

Os mais de 365 dias de incertezas e os 40 dias de portas fechadas resultaram no fechamento de cerca de 40% dos estabelecimentos do setor em Minas, além de milhares de empregos perdidos, conforme a Abrasel. Para Matheus Daniel, a situação atual é muito pior do que a vivida no ano passado. 

“A prefeitura insiste na cobrança das taxas de 2020, alongando, e isso não adianta, não ajuda. A gente precisa da isenção dos pagamentos proporcionais aos meses que a gente pôde trabalhar. As pessoas foram se desfazendo do patrimônio, com a esperança de que isso fosse passar e até hoje não passou. A gente não aguenta mais tempo nenhum, agora é na raça”, disse ele, que ainda reforçou que a população precisa fazer a sua parte e a PBH reforçar a fiscalização. 

CDL também cobra reabertura

Nessa terça-feira (13), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) informou que "após a divulgação dos últimos boletins epidemiológicos sobre a situação da Covid-19" na cidade, "é perfeitamente possível que o governo do Estado e a Prefeitura de Belo Horizonte determinem a reabertura do setor de comércio e serviços que está de portas fechadas desde o último dia 6 de março". Os lojistas dizem ainda que, em 2020, a capital mineira foi a cidade brasileira onde o comércio ficou mais tempo sem funcionar. 

Por nota, a PBH afirmou que "lamenta profundamente os impactos que vêm sendo causados pela pandemia nas diferentes atividades econômicas e destaca que sempre manteve diálogo com esses setores para construir conjuntamente alternativas e soluções para redução de danos". "Qualquer revisão no processo de flexibilização será verificada nesta quarta-feira (14), durante reunião da Prefeitura com o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19", complementou a administração municipal.

Índices

O recuo nas restrições está atrelado a alguns fatores. Atualmente, apenas um dos índices de monitoramento está em nível verde, segundo dados do boletim epidemiológico divulgado nessa terça (13). O número médio de transmissão por infectado (RT) está em 0,88, o que significa que, em média, cada 100 doentes contaminam 88 pessoas.

Hoje, um dos principais problemas enfrentados na capital mineira é a taxa de ocupação de leitos. Por semanas, a cidade enfrentou filas de espera por atendimento. A taxa geral de uso de unidades de terapia intensiva na rede SUS e suplementar está em queda, 86,1%, e aparece em vermelho no gráfico, em estado de alerta máximo. Nas enfermarias, está em 68,4%, no amarelo.

Também ontem, o infectologista Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à pandemia na cidade, afirmou, em entrevista ao Hoje em Dia, que, mesmo diante da queda de indicadores sobre a gravidade da Covid-19 na capital, ainda não seria momento de relaxar medidas para contenção de casos, já que BH "vive o pior momento" desde a chegada da pandemia. 

"Nossa taxa de ocupação está caindo, felizmente, mas no SUS está entre 95% e 96%, o que é muito alto ainda. No meu ponto de vista, não falo pelo comitê, não é o momento de abrir porque nós temos uma incidência de novos casos muito alta. Ao meu ver, acho que a gente deve continuar nessa restrição de mobilidade aqui em Belo Horizonte por mais tempo. Talvez, mais uma semana para reavaliar como vai ser o cenário”, disse.

Cidade fechada

Belo Horizonte decidiu pelo fechamento do comércio e dos serviços considerados não essenciais em 6 de março. Além disso, no dia 23 do mesmo mês, proibiu o funcionamento, aos domingos, de supermercados, padarias, sacolões, lanchonetes, açougues e do Mercado Central.

Com as medidas, bares e restaurantes (exceto para delivery), cinemas, feiras, escolas, lojas de vestuário, academias, eventos e parques não podem funcionar em quaisquer dias da semana como forma de frear o avanço da contaminação por Covid-19.

Leia mais:
BH vacina idosos de 63 anos a partir desta quarta-feira; confira locais
Avanço da Covid-19 e novas variantes fazem óbitos de pacientes de 20 a 29 anos crescer 176% em Minas
95% dos municípios de Minas já confirmaram mortes por Covid; veja lista das cidades com mais óbitos