Quatro pessoas de uma mesma família, incluindo uma blogueira com mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, foram presas em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, suspeitas de adulterar, falsificar e comercializar cosméticos para todo o Brasil. As prisões ocorreram na última quinta-feira (8) e foram divulgadas nesta segunda (12).

De acordo com a Polícia Civil, foram detidos a suspeita de liderar o esquema, de 21 anos; o marido dela, de 25; e os pais da jovem, de 49 e 54. Segundo a corporação, os investigados prometiam métodos exclusivos para tratamento da pele, por meio de produtos adulterados e sem eficácia comprovada.

Conforme Elisa Moreira, delegada regional em Contagem, levantamentos indicam que a blogueira, que se passava por estudante de Biomedicina, praticava os atos ilícitos há pelo menos 6 anos com a participação dos pais, o que foi comprovado por meio de documentos da empresa.

Além de responder pelo artigo 273 do Código Penal, eles também serão indiciados pelo crime de associação criminosa.

Blogueira

"A investigada era uma blogueira e tinha nas redes sociais mais de 100 mil seguidores. Ela também ministrava cursos de cosméticos", relatou a delegada Andrea Pochmann, que coordena as investigações. Segundo ela, a polícia acredita que a suspeita tenha feito várias vítimas, já que os cursos eram promovidos em vários estados, contando com uma média de 30 pessoas por atividade.

"Além dos cursos, ela aplicava esses procedimentos estéticos nas suas clínicas e vendia os cosméticos através de sites e na clínica", completou a policial. Os valores dos cursos giravam em torno de R$ 3 mil a R$ 5 mil, e os kit eram vendidos por cerca de R$ 1,5 mil.

Apreensões

A ação foi desencadeada na última quinta-feira, data em que foram cumpridos mandados de busca e apreensão, sendo localizados produtos já prontos para a venda, bem como rótulos, embalagens e matérias-primas. Também foi localizado pelos policiais um laboratório clandestino.

O material apreendido foi encaminhado à Vigilância Sanitária para análise das substâncias contidas nos cosméticos. "Nós já tivemos notícias de que algumas vítimas sofreram danos à saúde. Solicitamos que essas vítimas entrem em contato com a delegacia para que possamos robustecer as provas do inquérito policial", alertou Andrea.

Falsificação

Ainda de acordo com a delegada, a falsificação era feita a partir de diversos métodos. "Ela adulterava o produto, colocando no original o rótulo dela e outro cosmético lá dentro [do frasco], como também pegava simplesmente o produto original de outra empresa e colocava somente o rótulo dela", explicou.

Entre os artigos comercializados pelo grupo, há produtos para o tratamento de melasma, incluindo substâncias para administração via oral, o que, por lei, cabe apenas a indústrias farmacêuticas. De acordo com a polícia, os suspeitos sabiam sobre a investigação em curso e já haviam sido ouvidos, mas isso não os impediu de continuar com a produção dos cosméticos.

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