Produzida em laboratório e potencialmente perigosa, a canabinóide sintética, também conhecida como Spice, K2, K10, ou simplesmente maconha sintética, circula em grande quantidade em Minas. O entorpecente já representa 30% das drogas sintéticas analisadas pela Polícia Civil em formato de papel no Estado – antes, não passava de 1%. 

A invasão da substância motivou a corporação a disparar um alerta à população. Apesar do nome, não se trata de um derivado da maconha. O produto é oferecido pelos traficantes em pequenos pedaços de papel, semelhantes ao LSD. Cada um é vendido por cerca de R$ 30, de acordo com informação recente divulgada pelas forças de segurança de São Paulo. 

Segundo a polícia mineira, o usuário normalmente é jovem e de classe alta. Porém, no estado paulista, há registros da substância até mesmo dentro de penitenciárias. 

“Em alguns países, a principal droga utilizada nos presídios são os canabinóides sintéticos, até pela facilidade de esconder e passar pelas revistas”, conta o perito criminal do Instituto de Criminalística, Pablo Alves Marinho. 

Saúde em risco
A maconha sintética é extremamente agressiva ao organismo. Dentre os efeitos colaterais, pode provocar psicose, paranóia, confusão mental, irritabilidade, arritmia e até automutilação. Além disso, há casos de hipertensão, náuseas, vômito e lesões renais.

Marinho explica que a matéria-prima, de origem asiática, é transformada em um líquido, que depois é impregnado nos pequenos pedaços de papel, de 1 cm². 

A “onda” vem a partir da queima e inalação da fumaça. “Por se tratar de uma droga ainda nova no mercado ilícito, não há como o usuário saber sobre a quantidade incorporada no papel, não havendo consumo seguro”, afirmou. 

De acordo com o perito, as moléculas sintéticas se ligam aos mesmos receptores do THC, princípio ativo da maconha, mas com maior potência e efeito. 

“Há relatos de overdoses fatais após o consumo em outros países. Há também um risco maior de desenvolvimento de dependência química a longo prazo”, explicou. 

Em Minas, a circulação é maior no Triângulo. Nas apreensões, a polícia encontrou o entorpecente já na forma final para revenda. “Tem uma toxicidade maior que as drogas sintéticas clássicas, como o LSD e o êxtase, pelo mecanismo de ação e pela dosagem desconhecida”.

Origem
Segundo a United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por monitorar a circulação de drogas ilícitas no mundo, os primeiros relatos da maconha sintética são de 2008. De 2009 a 2020, mais de mil novas substâncias psicoativas em circulação foram reportadas pelos laboratórios forenses.