O avanço da Covid-19 em Minas e a circulação das novas cepas preocupam as autoridades estaduais, principalmente com o aumento do número de mortes de crianças menores de 10 anos por complicações da doença. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), metade dos óbitos de mineiros dessa faixa etária, infectados pelo novo coronavírus, foram registrados nos três primeiros meses deste ano.

Até o fim de 2020, a secretaria havia computado 17 vítimas da doença, sendo nove bebês menores de 1 ano e oito de crianças de 1 a 9 anos. Em 2021, os números dispararam e em menos de 90 dias o total de óbitos nessas idades dobrou, chegando a 34 vidas perdidas desde o início da pandemia.

Neste mês

Das mortes registradas neste ano, mais da metade ocorreram no mês de março (9), duas delas nesta semana: uma na segunda-feira (22) e outra na quarta (24). Em janeiro, a SES confirmou cinco óbitos e, em fevereiro, outros três. 

Segundo o infectologista Unaí Tupinambás, integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid de Belo Horizonte, as novas cepas do vírus são mais transmissíveis e agressivas, infectando os mais jovens – antes assintomáticos –, que, muitas vezes, precisam de internação e, em casos mais graves, morrem.

“Pode estar acontecendo, não está comprovado, mas antes as crianças não se infectavam muito. Com essa mutação, mais crianças estão sendo infectadas e, infelizmente, aumenta também o número de mortes”, afirmou o médico.

A também médica infectologista Lilian Diniz, que integra a Sociedade Mineira de Pediatria, revela que a manifestação da doença nas crianças tem se mostrado diferente do que ocorre nos adultos. “Nos mais jovens, o nariz escorrendo é um sintoma comum. Diarreia, dor na barriga e vômito, que não são sintomas respiratórios, são vistos. Alguns também apresentam manchas na pele”, disse.

Infectologista Unaí Tupinambás, integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid de BH, pondera que as novas cepas do coronavírus são mais transmissíveis e agressivas, infectando os mais jovens – antes assintomáticos –, que, muitas vezes, precisam de internação e, em casos mais graves, morrem

Síndrome rara

Outra questão que vem chamando a atenção das autoridades de saúde são os casos da Síndrome Inflamatória Multissis-têmica Pediátrica (SIM-P), que já acometeu 82 crianças mineiras e está associada à Covid-19. Os pacientes diagnosticados com a enfermidade podem apresentar quadro de insuficiência respiratória grave, além de doença renal e insuficiência cardíaca agudas. Os principais sintomas são febre, manchas vermelhas na pele, conjuntivite e edema nos pés e nas mãos.

Em território mineiro, a síndrome foi registrada em crianças de 0 a 14 anos. Grande parte teve confirmação em pacientes com idades de 0 a 4 (52,44%), enquanto jovens de 5 a 9 representam 40,24% do total de casos. De acordo com a SES, 35 relatos seguem em investigação e um óbito foi confirmado em Juiz de Fora, na Zona da Mata. 

BH lidera no Estado em número de casos confirmados da síndrome, com 29. Em Contagem e Betim, na região metropolitana, são sete e quatro diagnósticos, respectivamente. Outras 32 cidades já registraram ao menos uma criança com os sintomas.

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