A decisão sobre a aplicação da segunda dose da vacina contra a Covid19 nos servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES) suspeitos de ‘furar a fila’ da imunização deve sair ainda nesta semana, garantiu o secretário Fábio Baccheretti, nesta quarta-feira (24).

Ao assumir o comando da pasta após a saída de Carlos Eduardo Amaral, envolvido na polêmica sobre vacinação supostamente irregular de funcionários públicos, Baccheretti recomendou que a primeira aplicação nos servidores fosse paralisada. 

“Com relação à segunda dose, fizemos consulta tanto ao Ministério Público quanto ao órgão de controle interno. Recebemos a resposta ontem e a área técnica está analisando tudo que foi descrito pelo órgão de controle externo para que a gente tome o mais rápido possível a atitude”, informou.

De acordo com o secretário, será avaliado se existe um risco de desperdício das doses já aplicadas, pois a imunização só é garantida com o reforço. “Como é um caso conduzido tanto por uma CPI quanto pelos órgãos de controle, esse entendimento é necessário entre todos esses entes”, disse.

Segundo o chefe da pasta, a decisão de disponibilizar ou não a dose complementar será tomada nos próximos dias. “Temos que nos preocupar com o que a literatura estabelece com relação ao prazo da segunda dose, por isso a necessidade de tomar a decisão o quanto antes”, afirmou.

Entenda o caso

A CPI foi criada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para apurar falhas na vacinação de grupos não prioritários no Estado, o baixo investimento na ampliação de leitos para o enfrentamento da pandemia e a não aplicação do mínimo constitucional em serviços públicos de saúde.

A comissão foi instaurada depois dos parlamentares cobrarem explicações do então secretário, Carlos Eduardo Amaral, sobre a vacinação de servidores administrativos da pasta, que estariam fora das prioridades do Plano Nacional de Imunização (PNI). A comissão investiga 2.680 pessoas que trabalham na SES, em cidades do interior de Minas e em Belo Horizonte, além de 55 funcionários da ALMG.

Outro lado

O agora ex-secretário Carlos Amaral afirmou à Assembleia e em coletiva de imprensa que a imunização ocorreu em conformidade com o que é previsto pelo Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde. Ele garantiu que os funcionários só foram vacinados após a controladoria da própria SES-MG ter avaliado o caso e ter dado o aval para a legalidade do processo.

Além disso, o gestor explicou que os trabalhadores da secretaria só receberam o imunizante após o Estado ter enviado pelo menos 70% das doses para os demais trabalhadores de saúde de Minas. Todos os 806 vacinados tiveram a notificação de imunização relatada ao Ministério da Saúde.

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