A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) publicou, nesta quarta-feira (24), o decreto que proíbe o funcionamento de estabelecimentos como supermercados, padarias, sacolões e açougues, além do Mercado Central e atividades industriais, aos domingos na capital.

Os serviços apenas poderão atender em esquema de delivery ou drive-thru – neste caso, a regra é válida somente para os que têm estacionamento na área interna. A medida começa a valer já no próximo dia 28 e segue por tempo indeterminado.  

Vão poder funcionar nestes dias apenas serviços de saúde, farmácias, óticas, artigos ortopédicos, comércio de medicamentos veterinários e postos de gasolina (confira lista abaixo). A medida foi tomada como forma de tentar frear o avanço da transmissão do novo coronavírus na cidade.

Atualmente, Belo Horizonte tem leitos de UTI 100% ocupados e fila de espera para atendimento e internação. Nesta terça-feira (23), 27 vagas foram abertas no SUS, o que reduziu o índice geral para 102,3%. No entanto, a situação dos hospitais particulares segue em estado gravíssimo, com 111,9% de utilização. Neste momento, 33 pacientes graves aguardam na fila de internação. A ocupação das enfermarias é de 87,9%.

O que dizem os representantes das categorias

Em nota, a Associação Mineira de Supermercados (Amis) disse que está pronta a colaborar com as autoridades, mas alerta que toda e qualquer medida no sentido de reduzir o número de dias e horários de funcionamento preocupa o setor, “porque significa menos alternativas ao cliente e pode trazer aglomeração, exatamente o que é preciso combater neste momento”, diz o comunicado.

A entidade pede, ainda, que a população vá às lojas em horários alternativos ao longo da semana e que não deixe para realizar as compras na véspera do fechamento. “As lojas estarão abertas no sábado até as 20h, retomando as atividades na segunda (29), às 7h da manhã. Não há risco de falta de produtos”.

Em entrevista ao Hoje em Dia, o presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Vinícius Dantas, disse que alguns associados reclamaram que a entidade 'aceitou' o decreto sem reclamar, mas que é preciso respeitar a “decisão como medida necessária e momentânea”.

"Melhor ter o cliente vivo, cliente morto não compra. Muita gente, dada a dificuldade econômica, se opõe [ao decreto], achando que a gente deveria ter discordado. As pessoas estão esquecendo que estamos perdendo muita gente e isso é uma perda para qualquer negócio", afirmou.

Conforme o presidente Dantas, a queda de consumo vai acontecer vertiginosamente se a cidade continuar perdendo pessoas. "É preciso chocar um pouco os nossos segmentos. Não discutimos o decreto porque decreto não se discute. É uma medida que o Executivo está tomando para melhorar os números", finalizou.

Veja o que pode funcionar:

  • Comércio varejista e atacadistas de artigos farmacêuticos
  • artigos farmacêuticos, com manipulação de fórmula
  • artigos de ótica
  • artigos médicos e ortopédicos
  • combustíveis para veículos automotores
  • comércio de medicamentos veterinários
  • Serviços de alimentação, apenas para entrega em domicílio
  • Restaurantes, lanchonetes e bares no interior de hotéis, pousadas e similares; somente para hóspedes
  • retirada no formato drive-thru para os estabelecimentos que possuem estacionamento internalizado

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