Leitos com 100% de ocupação, fila de espera para atendimento com cerca de 200 pessoas e novos casos que avançam a cada dia. Minas Gerais vive o pior momento desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020. A atual situação crítica no Estado impede até que pacientes de municípios afetados sejam transferidos para outras cidades por conta de um colapso no sistema de saúde. As informações são do governador Romeu Zema (Novo) e do secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.

“Começamos a assistir uma cena de horror. Pessoas clamando por atendimento e não há vaga. Queremos isso em Minas? Vermos pessoas morrendo nas ruas? Chegamos no ponto em que nosso sistema de saúde entrou em colapso. Mais pessoas procuram do que temos capacidade de atendimento. O Estado não tem mais capacidade de atendimento”, afirmou Zema durante coletiva de imprensa, concedida na manhã desta terça-feira (16).

O atual cenário também acarreta em outras consequências. Até a manhã desta terça-feira (16), 20.715 mineiros já perderam a luta para a Covid-19. Foram 28 óbitos registrados só nas últimas 24 horas.

“Certamente o pior momento que estamos vivendo entre os 12 meses de pandemia. A gente está vivendo um momento de alta taxa de incidência e ocupação de leitos em todo o Estado. É um momento diferente. Pela primeira vez, todas as regiões estão sofrendo muito. Não temos mais a capacidade de transferir pacientes de uma macrorregião para outra. Isso faz com que a gente adote as medidas mais duras”, avaliou o secretário de Saúde.

Em todo o Estado, 85,82% das vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), destinados aos pacientes com a doença no Sistema Único de Saúde (SUS), estão ocupadas. Segundo levantamento divulgado diariamente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), 2.166 mineiros estão internados nestes leitos atualmente. Quando considerado apenas Belo Horizonte, a situação é ainda mais grave: 93,4% dos 683 leitos – considerando a rede suplementar e SUS – não estão mais disponíveis. 

“A evolução da ocupação disparou nos últimos dias, mesmo com o aumento do número de leitos. O comportamento da taxa de ocupação mostra que não há leitos sendo abertos na mesma velocidade do número de internações. Chegamos em um esgotamento de recursos humanos. Não existe sistema de saúde no mundo que consiga acompanhar isso. Chegamos ao nosso limite”, avaliou Fábio Baccheretti, referindo-se à abertura de leitos de enfermaria no Estado, que hoje possui mais de 20 mil vagas. 

A falta de leitos em alguns municípios faz com que cerca de 200 mineiros estejam na fila de espera para atendimento. Na macrorregião Leste do Sul, onde está localizada Viçosa, por exemplo, a ocupação dos leitos Covid está em 112,5%, ou seja, faltam vagas.

Abertura de leitos

De acordo com o secretário de Estado de Saúde, novos leitos para atendimento Covid-19 serão abertos em hospitais da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Unidades de saúde da capital mineira, de Patos de Minas e Juiz de Fora, na Zona da Mata, receberão novas vagas. “Provavelmente mais nove leitos serão abertos no Hospital Júlia Kubitschek a partir de amanhã (quarta-feira). O Eduardo de Menezes abriu 15 leitos de semi-intensivo e em Juiz de Fora estamos abrindo dez leitos pediátricos e neonatais, para abrirmos outros dez leitos de CTI adulto no Hospital João Penido. No Hospital João XXIII já estamos direcionando 20 leitos para terapia intensiva e no Hospital João Paulo II, são 16 leitos pediátricos porque as crianças estão internando não só por Covid, mas por outras doenças respiratórias”, afirmou. 

Em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba, quatro novos leitos serão disponibilizados no Hospital Antônio Dias. 

Onda Roxa

Para tentar evitar que o vírus continue em circulação e que novas pessoas sejam contaminadas, o governo do Estado definiu que novas medidas restritivas entrarão em vigor a partir desta quarta-feira (17): todas as 853 cidades localizadas no território entrarão da Onda Roxa do programa Minas Consciente, a mais restritiva do plano.

“Não nos resta outra alternativa senão essa. Temos que limitar o número de casos. Estamos perdendo pessoas porque não há capacidade de atendimento”, concluiu Zema.

Desde o início da pandemia, em março do ano passado, o novo coronavírus já contaminou 980.687 pessoas em Minas. Por outro lado, 888.616 pacientes já se recuperaram da doença. Outros 71.356 seguem em observação, em isolamento social ou internados.

Na Onda Roxa só é permitido o funcionamento de serviços essenciais e a circulação de pessoas fica limitada aos funcionários e usuários desses estabelecimentos. O deslocamento para qualquer outra razão deverá ser justificado e a fiscalização será feita com o apoio da Polícia Militar. Há toque de recolher entre 20h e 5h.

As regras também incluem a proibição de circulação de pessoas sem o uso de máscara de proteção, em qualquer espaço público ou de uso coletivo, ainda que privado; a proibição de circulação de pessoas com sintomas gripais, exceto para a realização ou acompanhamento de consultas ou realização de exames médico-hospitalares. Também fica proibida a realização de reuniões presenciais, inclusive de pessoas da mesma família que não coabitam; além da realização de qualquer tipo de evento público ou privado que possa provocar aglomeração, ainda que respeitadas as regras de distanciamento social. As medidas deverão ser cumpridas por ao menos 15 dias. 

Mudança de comportamento

Também durante a coletiva de imprensa realizada nesta manhã, o secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, fez um apelo aos mineiros para que as mudanças e as medidas mais restritivas façam efeito.

“A onda roxa não pode ser só uma cor no mapa, tem que ser uma mudança de comportamento de todo mundo. A gente precisa que cada cidadão mineiro entenda isso porque não adianta restringir, fechar o comércio, se as pessoas ainda não mudarem os hábitos”, finalizou o secretário de Saúde.

Romeu Zema também pediu que os mineiros tenham “espírito humanitário” e evitem qualquer tipo de aglomeração, considerando que “quem sair na rua desnecessariamente pode ser tachado de assassino”.

“Qualquer pessoa contaminada a mais pode vir a ser um óbito a mais porque o Estado não tem como atender. Se nós não adotarmos as medidas, esse número tende a aumentar. Pessoas estão implorando por atendimento médico. Se a gente não tiver esse espírito humanitário, daqui a pouco essas filas vão sair dos hospitais e vão para as ruas. Será que é isso que queremos em Minas Gerais? Então nós precisamos, antes de tudo, ter humanidade neste momento”, avaliou.

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