O número de crianças e jovens adultos contaminados pela Covid-19 cresce cada vez mais em Minas. Novas cepas do vírus, desleixo no cumprimento dos protocolos e até o início da vacinação de idosos ajudam a explicar a mudança no perfil dos infectados. O cenário pode sobrecarregar ainda mais os leitos de terapia intensiva dos hospitais, que já estão no sufoco. Ontem, dois bebês morreram por complicações da doença.

Levantamento feito pelo Hoje em Dia, cruzando as notificações atuais com os dados de seis meses atrás, confirma o avanço da enfermidade em todas as faixas etárias até os 39 anos. A proporção de mineiros de 10 a 19 anos doentes aumentou 44%. Nas pessoas de 20 a 29, o crescimento foi de 23,3%. Já em idosos com 60 anos ou mais houve recuo. (veja arte abaixo)

Em BH, a situação se repete. Infectologista da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Paulo Roberto Corrêa reforça que o perfil dos infectados mudou. “São públicos que têm tido mais aglomeração, não aderem muito ao uso de máscaras nos ambientes coletivos. Então, isso favorece a transmissão”, afirmou o especialista, que é membro da Diretoria de Promoção e Vigilância Epidemiológica da PBH.

O médico também alerta que o número de internações e óbitos dos mais jovens tem crescido consideravelmente, aumentando os riscos para outras pessoas. “Temos uma demanda grande para idosos em leitos de enfermaria e UTI. Atingindo outra população, que é muito maior, pode intensificar o uso dos serviços de saúde”. Na capital, 85,3% dos leitos de terapia intensiva públicos e privados, destinados a pacientes com a Covid-19, estão ocupados.

Para Estevão Urbano, infectologista e membro do Comitê de Enfrentamento à Pandemia em BH, as novas cepas também são determinantes. “Não só infecta mais, como causa doenças mais graves. Perdi pacientes com 32, 33 anos, infelizmente”, contou.

Mortes de bebês
As mortes de mais duas crianças constam no mais recente boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Até o momento, 13 menores de 1 ano já perderam a vida após contrair a doença.

Desde o início da pandemia, em março do ano passado, 928 mil pessoas já testaram positivo para o vírus em Minas. São 19 mil óbitos. Os recuperados da enfermidade somam 844 mil e outros 64 mil pacientes estão em observação, internados ou em isolamento social.

arte covid

 

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