Os números dos indicadores que monitoram a situação da pandemia da Covid-19 estão em desaceleração em Belo Horizonte nos últimos dias. Com taxas de transmissão e leitos em queda, a prefeitura da capital anunciou uma flexibilização com reabertura do comércio não essencial, que ocorrerá a partir de segunda-feira (1º). A medida, porém, não significa que a situação não continue grave na cidade.

A afirmação é do infectologista e membro do Comitê de Enfrentamento à Epidemia da doença, Estevão Urbano. “Para deixar bem claro e que fique bem entendido que a situação continua grave no país. A queda dos indicadores em Belo Horizonte foi, felizmente, consequência do sacrifício que a cidade fez, que nos permitiu propor ao prefeito a flexibilização. Mas as pessoas costumam confundir: ‘estamos flexibilizando então está tudo bem’. Não tem nada disso, a situação continua muito grave”, disse durante entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (29).

O retorno das atividades essenciais, com a volta do comércio e serviços – autorizados a funcionar de segunda à sábado – deve ser observado com atenção pela população. De acordo com o infectologista, é preciso continuar evitando aglomerações.

“Nada impede que Belo Horizonte, se não cumprirmos com as medidas, possa piorar o contexto de novo. Aumentarmos mortes, internações, piorar todos os indicadores. Que a população entenda que são coisas paralelas. Não estamos nem perto de pensarmos que a pandemia não exige todos os cuidados. Esse cuidado parte de cada um de nós, principalmente em relação às aglomerações. Não vamos aglomerar”, afirmou.  

Nova cepa

Ainda durante a entrevista, Estevão Urbano alertou para a nova variante brasileira do novo coronavírus, identificada em estados do Brasil, e pediu que o assunto seja tratado com "a maior seriedade possível". “Tudo muda muito rapidamente. Existe muita aleatoriedade com esse vírus. E agora cepas que podem ser muito diferentes da atual em termos de comportamento. Quando digo podem, é porque ainda não está provado. Elas têm que ser tratadas com a maior seriedade possível, já foram suficientemente discutidas a ponto de quase todos os países fecharem as fronteiras para o Brasil. Temos que prestar atenção”, concluiu.

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