Aposta para frear a pandemia do novo coronavírus, a chegada cada vez mais próxima de uma vacina vem acompanhada, ao mesmo tempo, de insegurança. A cada dez brasileiros, dois garantem que não vão tomar as doses contra a Covid-19, especialmente se for a chinesa Coronavac, conforme revelou pesquisa Datafolha. O tema ganhou os holofotes da Justiça. Até amanhã, antes do recesso de 20 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) espera terminar o julgamento de ação que busca tornar a imunização obrigatória.

Se receber parecer favorável dos ministros, governos estaduais e municipais terão o direito de exigir a vacinação. Nesse caso, os moradores que se negarem a receber as doses até poderão sofrer medidas restritivas indiretas, segundo especialistas, como sanções em programas sociais.

“Teve que chegar ao absurdo de o Supremo analisar. Tem que vacinar. A própria lei, que está sendo chamada de ‘lei do novo coronavírus’, fala da vacinação como medida de combate à pandemia. Em sociedade, o coletivo tem que prevalecer em relação ao particular”, avalia a advogada Juliana Hasse, especialista em Direito Médico e da Saúde.

Dúvidas sobre a eficácia da fórmula e a reação no organismo são argumentos para quem declara que não vai tomar a vacina contra a Covid. 

“Não tenho informações dos sintomas reais. Isso é o fato da resistência de muitos (ao imunizante)”, disse o aposentado Anselmo Rosa, de 53 anos.

Já a jornalista Izabela Cardoso Praça, de 26, teme a proteção por ter imunidade baixa. “Vou esperar muitas pessoas tomarem para ver como vai ser”.

“Tivemos e temos vários desafios. O primeiro, criar vacinas. Outro é saber se elas vão produzir imunidade (anticorpos) e eficácia, ou seja, reduzir a transmissão. E, ainda, quando estiverem disponíveis, será convencer a população a tomá-las”, destaca o infectologista Leandro Curi.

Segundo ele, que faz parte do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Ibirité, na Grande BH, o comportamento atual de parte da população já projeta um cenário futuro desafiador. “Em 2020, a nossa vacina é o distanciamento social e a máscara, mas nem isso parte das pessoas está fazendo, o que já dita o que teremos que vencer pela frente”.

 

Países signatários da OMS podem criar barreira a turista 

A necessidade de se viajar a alguma nação signatária da Organização Mundial de Saúde (OMS), como o Brasil, pode levar à maior adesão à vacinação contra a Covid-19. 

De acordo com o advogado Cassio Faeddo, especialista em Relações Internacionais, a entidade autoriza a esses países a impedir a entrada de turistas que não apresentarem a carteira comprovando terem se protegido contra a doença causada pelo novo coronavírus. “Não é uma medida obrigatória, mas o chefe de Estado que quiser resguardar os seus cidadãos, com esse controle sanitário, pode adotá-la”, explicou. 

Para Faeddo, essa realidade fará, naturalmente, com que as pessoas lancem mão da proteção. “Porque encontrarão barreiras locais e internacionais”, completou o advogado.

Esse tipo de exigência já acontece, por exemplo, com a febre amarela. Países como Austrália, Bahamas, Guatemala, Indonésia, Moçambique e Paraguai requerem Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) de quem quer entrar no território.