A incidência de transtornos mentais entre pacientes que se recuperaram de Covid-19 exige mudança no acolhimento a essas pessoas. Fortalecimento das estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças, com ênfase nos aspectos psíquicos desse público, são algumas medidas que devem ser adotadas, afirmam especialistas. Ampliar o acesso ao tratamento também é necessário neste momento.

Conforme o Hoje em Dia mostrou na edição desta quinta-feira (12), uma em cada cinco pessoas contaminadas desenvolvem quadros de ansiedade, insônia e depressão. Essa é a constatação de uma pesquisa da Universidade de Oxford, realizada a partir de análises dos registros eletrônicos de saúde de 69 milhões de pessoas nos Estados Unidos, incluindo mais de 62 mil casos do novo coronavírus. O quadro, afirmam os estudiosos, deve ser o mesmo em todo o mundo.

Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva confirma a alta procura nos consultórios de pessoas que tiveram Covid-19 e apresentaram quadros psiquiátricos. “Esse é um momento diferente e precisamos ter um sistema de saúde mental apropriado através de atendimento ambulatorial, com acesso ao tratamento psiquiátrico para muito mais pessoas”, diz.

Para o especialista, ao contrário do que muitos pensam, os cuidados em saúde mental não são supérfluos. “Mas sim a chave para lidarmos de forma mais adequada com as consequências trazidas pela Covid-19”, complementa Antônio Geraldo. 

Preocupante

O presidente da ABP frisa que alterações psiquiátricas em pessoas infectadas parecem se sobrepor ao percentual da população em geral, o que é preocupante em função das ações do próprio vírus no sistema nervoso central.

A associação pretende fazer estudos com pacientes que tiveram Covid-19 para identificar se apresentaram ou não transtornos mentais após se vencerem a doença.