No momento em que muitas pessoas temem a morte, por conta do avanço da Covid-19, a vida continua pedindo passagem e acontecendo. Só em março, quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 35.119 crianças nasceram em Minas Gerais – cerca de 14 mil a mais do que no mesmo mês de 2019. Para as mamães que acalentam hoje os filhotes nos braços, o receio de dar à luz neste período de tantas incertezas foi tomado pela alegria de trazer ao mundo uma mensagem de esperança.

Esse é o sentimento de Evelinne Lopes, de 34 anos. Mãe de Catarina, que nasceu em 17 de abril, a administradora é só carinho ao falar da filha. A menina, tão desejada por ela e pelo marido, Francisco Fonseca, tem dado um novo sentido à vida do casal. 

Aliás, a garotinha chegou justamente no dia em que o pai faz aniversário. “Uma surpresa, alegria em dobro”, comemora a mulher. 

Mesmo que o dia do parto não tenha saído como planejado – já que não teve a presença dos familiares e nem a filmagem contratada –, o que vale é a nova vida em meio ao caos que o mundo vive, diz a mamãe. 

“Ela (Catarina) é uma oportunidade de renovação, esperança. Muda a vida da gente totalmente para melhor, com muito amor. A questão da pandemia você nem lembra na hora, pensa na saúde, que vai ficar tudo bem”, afirma Evelinne.

A parte ruim é ficar longe das pessoas que ama. Como a mãe da administradora, que ainda não pôde segurar no colo a primeira neta – uma forma de protegê-la em meio à situação atual. 

Mas os parentes fizeram questão de conhecer a bebê, mesmo que de longe, pela janela. “Depois que recebemos alta, chegamos em casa e ouvimos gritos de ‘Catarina’ do lado de fora do prédio. Minha mãe tinha chamado meus tios e primos para nos recepcionar. Foi emocionante demais”, relembra a administradora.


Muita alegria
Apesar da tristeza por não ter os familiares tão perto, Evelinne afirma que a alegria não perde espaço. Para a psicóloga Silvia Rezende, da Clínica Lares, esse sentimento deve estar presente. “Afinal, o nascimento de uma criança é a celebração da vida, um renovo”, destaca.

Colaboradora do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a especialista diz, ainda, que esses bebês estão chegando justamente no momento em que as pessoas mais precisam deles. “Em meio à pandemia, o planeta está se restabelecendo, nascendo novamente. Isso é bem simbólico”.

Até mesmo a forma de receber esse filho, visto o cenário atual, está mudando. “Quem está chegando agora precisa aprender coisas que até então não percebíamos que eram importantes, como preservar a natureza, ter mais solidariedade, amor e empatia. Essas crianças são a nossa esperança”, reforça a psicóloga.

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