Em uma semana, a Covid-19 avançou cinco vezes mais rápido que a dengue em Minas Gerais. De 7 a 14 de abril, a soma dos casos confirmados e suspeitos do novo coronavírus subiu 29%. Já os pacientes com a doença transmitida pelo Aedes aegypti cresceram 5,9%. A falta de imunidade da população e a facilidade na transmissão são apontadas como os principais fatores para a explosão dos infectados pela enfermidade surgida na China no fim de 2019.

O cenário para 2020 não é animador, alertam especialistas. Sem anticorpos no organismo ou uma vacina para proteger da Covid-19, grande parcela da população está na mira do vírus. O perigo maior é para quem faz parte do grupo de risco, que pode evoluir rapidamente para o estado grave da enfermidade.

Protegidos

Por outro lado, o infectologista Frederico Figueiredo Amâncio, da Unimed-BH, destaca que boa parte das pessoas já se tornaram imunes à doença causada pelo Aedes. Nesse caso, o último ano foi de surto, com quantidade de casos bem maior em relação aos anteriores. “E por ter havido outras epidemias no passado, mais gente ficou protegida contra os tipos da dengue (1, 2, 3 e 4)”. 

Mas em relação ao novo coronavírus, não. “É um vírus novo, com a parte da população com grau de suscetibilidade muito alta porque não tem imunidade contra ele. Então, a tendência é de evolução e dispersão mais rápidas que a dengue, pelo menos neste primeiro ano”, explica o infectologista.

Ainda não se sabe se quem foi contaminado pelo novo coronavírus será infectado novamente. De acordo com Frederico Amâncio, há uma chance considerável de que quem já tenha contraído o vírus adquira imunidade definitiva para ele. “Pela experiência que temos de outros tipos de vírus respiratórios. Mas ainda é muito cedo afirmar, porque os próprios coronavírus sofrem mutações de um ano para outro”, frisa.

Expectativa é de que os casos de Covid-19 aumentem expressivamente com a chegada do inverno em Minas

A esperança de proteção total é o desenvolvimento de uma vacina, o que, entretanto, só deve ocorrer em um ano e meio, conforme estudiosos. Até lá, possivelmente, muita gente será infectada. Com a chegada do inverno, por exemplo, a expectativa é de aumento expressivo no número de pacientes com Covid-19.

Medo

É justamente a falta de vacina e de tratamento específico para a Covid-19 que mais assusta a jornalista Karina Vianello, de 40 anos. Para ela, há 30 dias sem sair de casa, o novo coronavírus apavora por ainda ser “desconhecido”. “Estamos vendo o que está acontecendo no mundo, e as pessoas ainda não pararam para ver a gravidade”.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) disse acompanhar a evolução das duas doenças em Minas. Sobre as ações de combate, a pasta informou que elas “estão sendo tomadas em tempo oportuno e da melhor forma possível, visando a proteção da saúde da população mineira”.

Além disso

A projeção para o pico de contaminação pelo novo coronavírus em Minas Gerais foi novamente adiada, agora em mais de 20 dias, passando para 27 de maio. Além disso, o número previsto de pessoas que estarão infectadas ao mesmo tempo, nesta época, caiu 23%, chegando a 4.200 enfermos. De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, durante coletiva virtual ontem, as notícias são favoráveis e refletem o bom engajamento da população no isolamento social.

O gestor acredita que Minas está em uma situação “satisfatória” no controle da Covid-19. “A adesão da sociedade ao isolamento está conseguindo alargar a curva e projetar mais para a frente o pico. Está dando tempo para a sociedade, para a estrutura de saúde se adaptar”, frisou.

O titular da pasta informou, ainda, que 4% dos leitos de terapia intensiva e de enfermaria disponíveis na rede pública estão ocupados com pacientes relacionados ao novo coronavírus. Segundo Carlos Eduardo Amaral, a ideia é continuar o distanciamento, até que a rede esteja pronta para atender a todos os casos. Ainda não há prazo para a flexibilização da quarentena.

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Covid-19 avança cinco vezes mais rápido que dengue em Minas