O Ministério Público de Minas Gerais pediu ao Poder Judiciário o arquivamento do processo contra o ex-monitor do Colégio Magnum, suspeito de abusar de alunos dentro da escola. De acordo com MPMG, a 26ª Promotoria de Justiça Especializada de Crimes Contra Crianças e Adolescentes de Belo Horizonte seguiu o entendimento da Polícia Civil, que havia decidido pelo não indiciamento do rapaz por não haver provas contra ele. Agora o pedido será analisado pela juíza do caso.

O advogado Fabiano Lopes, que representa o rapaz, comemorou a decisão e disse que agora um advogado cível vai analisar a possibilidade de buscar danos morais. "Já temos algumas situações mapeadas. Estávamos esperando essa decisão do Ministério Público", disse.

O rapaz de 22 anos foi denunciado por sete mães da escola de que teria abusado de crianças. A onda de queixas começou no início de outubro 

Por meio de nota, a direção da escola informou que "permanece o compromisso já firmado com o colaborador afastado de manter sua vaga garantida tão logo ele queira e possa retomar suas atividades". Na época da conclusão do inquérito policial, a escola divulgou nota informando que a decisão de afastamento do colaborador teve "o duplo objetivo de resguardar a integridade da família e do colaborador e de permitir que o inquérito pudesse tramitar de forma isenta".

Nesta quarta, Fabiano Lopes disse que o estudante de Educação Física não pretende, por enquanto, voltar a trabalhar na escola, porque os filhos dos pais que o denunciaram estudam na unidade. "É uma situação temerária, mas não impede de que, no futuro, ele volte pra lá". Atualmente, segundo Lopes, ele está trabalhando em uma escolinha de futebol.


A mãe que fez a denúncia inicial também foi procurada, mas não atendeu as ligações.


Relembre

A primeira denúncia foi feita em 3 de outubro. Uma mãe procurou a polícia e relatou “que seu filho, de 3 anos, ficava tentando beijar sua boca, atitude não comum entre mãe e filho”. Ela disse também que, ao questionar o comportamento, ele respondeu que teria aprendido isso com o suspeito. Ainda de acordo com a mãe, o aluno "foi forçado a tocar no pênis do autor e que o autor tocou no pênis da vítima”. Segundo a Polícia Militar, a mãe voltou a questionar a criança, que, por sua vez, fez gestos indicando que teria feito sexo oral com o rapaz. 

O segundo caso teria sido semelhante, com a criança relatando situações parecidas. Outros casos também foram denunciados, sendo sete no total.

A PC após decidir pelo não indiciamento do rapaz informou que foram analisadas 30 horas de imagens do colégio, com foco nas aulas de Educação Física; avaliados áudios enviados por pais, interpelando os filhos sobre os casos; realizados mandados de busca e apreensão na casa do então suspeito; feitos exames de corpo delito em algumas crianças; levantada a vida pregressa do suspeito; e feitas avaliações psicológicas de representantes legais das crianças e das crianças. Diante de todo levantamento, não foi encontrado nada contra o rapaz.

Quanto às denúncias que surgiram após a primeira, a Polícia Civil acredita que elas ocorreram devido a vários fatores como a ampla divulgação nas redes sociais e na imprensa do caso, além da abordagem inadequada feita pelos pais aos filhos.

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