Reitores das universidades e institutos federais em Minas Gerais começam a respirar aliviados. Após o anúncio de que parte da verba contingenciada neste ano será liberada, as instituições de ensino aguardam a definição do montante a ser desbloqueado. Para não paralisar pesquisas, ontem a reitoria da UFMG foi até a prefeitura pedir ajuda financeira.

A reincorporação dos valores congelados foi divulgada pelo ministro da Educação (MEC), Abraham Weintraub, nesta segunda-feira. No total, R$ 1,15 bilhão da pasta foram liberados. Outros R$ 3,8 bilhões permanecem congelados.

A previsão, conforme Weintraub, é de que metade dos 30% da verba da universidade retida neste ano seja disponibilizada. Levando em conta o índice, a UFMG, por exemplo, poderá ter acesso a cerca de R$ 32,5 milhões. 

Oficialização

Aliviada. É assim que a reitora da instituição, professora Sandra Regina Goulart Almeida, diz se sentir. A gestora afirma aguardar a oficialização do anúncio.

“A situação é bastante preocupante em várias frentes. É nessa verba que está o custeio de água, luz, telefone, algumas bolsas de graduação, manutenção dos prédios nos nossos campi”, frisou a docente.

Mas para o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), João Carlos Salles, a medida é um alívio “momentâneo”. “Cada universidade trabalha com uma verba destinada no orçamento. Portanto, se todo o valor não for reposto, há riscos para todas as instituições”, comentou.

Serviços afetados

Ônibus que circulam no campus transportando estudantes, visitas ao parque ecológico, trabalhos lúdicos com pacientes e oficinas para a comunidade são algumas atividades que estão paradas ou sofreram redução na UFMG, por causa do contingenciamento. A situação foi mostrada pelo Hoje em Dia na edição de 16 de setembro.

Segundo alunos, nos prédios das faculdades, o uso de laboratórios de informática, por exemplo, tem sido racionado e salas fechadas para economia de energia. Para evitar paralisação total das pesquisas, a reitora Sandra Regina pediu auxílio ao prefeito Alexandre Kalil.

“Ele ficou de sentar com a gente na semana que vem. Estamos preocupados. Temos pesquisas de ponta, como as da área de zika, chikungunya e remédios para pressão alta, que podem ser prejudicadas”, afirmou a professora.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, Kalil afirmou que “a prefeitura vai fazer todo possível para que não se fechem as bolsas e o laboratório”. “É fundamental não só para BH e para a UFMG, mas para a população que precisa de cérebros estudando soluções que futuramente vão resolver problemas importantíssimos”.

Outras liberações

Outros programas do MEC, como a compra de livros didáticos, também terão recursos desbloqueados. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, R$ 290 milhões foram liberados para aquisição de publicações, ante R$ 490 mi que estavam congelados. Com o montante, o ministério assegurou que a compra de materiais está garantida em todo o país.

Para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que cuida das bolsas de pesquisas de pós-graduação e especializações, o aporte anunciado foi de R$ 270 milhões. O dinheiro será usado para custear subsídios já previstos. Dessa forma, não está incluída a concessão de novas bolsas.

Já o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) teve desbloqueado o valor de R$ 105 milhões, que serão usados para custear o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Avaliação Básica (Saeb).

 

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