Apesar de não ter verificado fragilidades físicas nas barragens localizadas em Nova Lima e Ouro Preto, a Vale acionou sirenes, na noite dessa quarta (27) nas localidades devido a um aumento do rigor nas avaliações. É o que afirma o coordenador do comitê de resposta imediata da Vale, Marcelo Klein. “Praticamente nós começamos uma história nova a partir de Brumadinho. Não teve nenhuma tendência de anomalia, mas a gente está numa fase de transição para novos critérios, nível de conservadorismo nos parâmetros, com premissas de avaliação mais rigorosa”, expõe.

Foi acionado protocolo para início do nível 3 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) para três barragens: B3/B4, da Mina Mar Azul, em Macacos, em Nova Lima, na Grande BH; Forquilha I e Forquilha III, da Mina Fábrica, em Ouro Preto, na região Central do Estado.

A Vale afirmou que as sirenes foram disparadas às 22h30 em Macacos, de forma preventiva, pois auditores independentes disseram, na terça-feira (26), que não atestariam a segurança da estrutura e a mineradora comunicou a decisão aos órgãos de segurança. Klein disse também que a Vale continua adotando medidas preventivas para aumentar a segurança das estruturas. No caso de Ouro Preto, mesmo com a elevação de risco, não houve acionamento do sinal.

“Nós entendemos que, além de evacuar as pessoas, a preocupação agora é com os moradores da zona secundária, com o protocolo de treinamentos, comunicação e esclarecimento da população. É aparelhar os moradores para que se possa fazer a evacuação do local”, colocou o engenheiro.

Esse movimento é um processo de continuidade de observações desde janeiro após o rompimento em Brumadinho. "Houve um reforço em todas as barragens construídas pelo método de alteamento a montante, que exigem monitoramento 24 horas e a contratação de novas empresas para a revalidação dos certificados de segurança”, explicou.

Treinamento

Cinco mil pessoas das chamadas regiões secundárias devem ser treinadas nos próximos dias. São 2.900 moradores do distrito de Honório Bicalho, em Nova Lima, onde a lama chegaria em 1h03; e 2.300 da cidade de Raposos, na Grande BH, onde esse tempo sobre para 1 hora e 45 minutos em caso de rompimento.

Marcelo Klein explicou que, em fevereiro deste ano, a mineradora já teve a sinalização de que essas estruturas não teriam a certificação de estabilidade revalidada. Os últimos laudos foram de setembro de 2018 e agora, em 31 março, seis meses depois, precisam de novos certificados.

“A gente acredita que as empresas certificadoras elevaram seus parâmetros de segurança e o grau de conservadorismo e, nesse momento, a gente realmente tem dificuldade em encontrar empresas que façam essa certificação. Brumadinho nos ensinou que é preciso elevar o nível de excelência e de controle do monitoramento”, conclui.

Veja um trecho da coletiva de Marcelo Klein:

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