A família de Luiz Felipe Siqueira de Sousa, que morreu na manhã desta terça-feira (20) em decorrência de agressões sofridas no último dia 14 no pátio do Instituto de Educação de Minas Gerais, espera conseguir doar os órgãos do adolescente.

De acordo com o tio da vítima, Walter Evangelista Sousa, o corpo do jovem não foi liberado ainda pelo Hospital João XXIII pois passa por uma avaliação da viabilidade de doação de órgãos.

A expectativa de Sousa é que, ao menos, as córneas possam ser doadas. “Se conseguir doar um fio de cabelo do Luiz, já será um alento para a nossa família”, afirmou o tio, que trouxe Luiz para a capital mineira para estudar o terceiro ano do Ensino Médio. Até ano passado, o adolescente morava com o pai e o irmão mais novo em São Paulo. 

A família decidiu que o corpo do adolescente será velado em Minas Novas e enterrado em Turmalina, cidades do Vale do Jequitinhonha onde moram os familiares. Como o corpo ainda não saiu de Belo Horizonte, não há previsão de horário para o funeral.

Agressão

Na última quarta-feira (14), Luiz Felipe jogava futebol no pátio da escola, durante o recreio, quando teria acontecido um desentendimento com um rapaz de 18 anos. Imagens de câmeras de segurança mostram que Luiz Felipe foi agredido com socos e pontapés por esse colega mais velho. Ele chegou a tentar fugir, mas foi perseguido pelo agressor.

A vítima caiu sobre uma escada e machucou a cabeça em um degrau. Alunos do Instituto de Educação teriam contado que, ao perceber a gravidade da situação, o agressor também teria tentado ajudar, mas foi encaminhado para a sala dos professores. O suspeito das agressões foi preso em flagrante e tinha um histórico de ações violentas dentro do Instituto de Educação.

Defesa do agressor

A reportagem ouviu a defesa do agressor, que afirmou que o jovem está assustado e arrependido por tudo o que aconteceu. Segundo William Vaz, defensor público responsável pelo caso, a defesa vai pedir que ele seja julgado por lesão corporal. "Ele não teve a intenção de matar o colega. Houve, sim, a agressão, mas ela não foi iniciada com esse intuito. A pena deve ser maior agora porque a lesão resultou em morte, mas a própria família dele defende que a justiça seja feita, mas da forma certa", justificou.

A Secretaria de Estado de Educação afirma que está apoiando a família da vítima. Veja a nota enviada pela Secretaria de Educação:

"A Secretaria de Estado de Educação (SEE) recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento do estudante do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), na manhã desta terça-feira (20/11), que estava internado no Hospital João XXIII desde a última quarta-feira (14/11), em virtude de agressão praticada por colega da escola. Durante todo o período de internação, representantes da SEE e da direção da escola acompanharam a família, buscando dar todo o apoio necessário. Segundo informou a família, o corpo do adolescente será velado na cidade de Minas Novas e o enterro acontecerá em Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. A SEE se colocou à disposição para auxiliar no transporte dos familiares. A eles, aos amigos, colegas e comunidade do IEMG, a SEE se une nesse momento de perda e de luto".

Leia mais:
Morre adolescente espancado dentro do Instituto de Educação
Instituto de Educação assina documento para pedir que agressor de adolescente permaneça preso
Jovem que agrediu colega dentro do Instituto de Educação tem prisão preventiva decretada