Esquema para furto e venda de gasolina da Petrobras foi descoberto ontem em Mário Campos, a 44 quilômetros de Belo Horizonte. Nada menos que 800 mil litros do combustível foram levados pelos bandidos durante cinco meses, causando prejuízo de R$ 3,8 milhões aos cofres públicos. Onze pessoas que integravam a quadrilha foram presas em Minas, São Paulo e Bahia.

Em uma chácara na cidade da Grande BH, o bando perfurava a tubulação subterrânea da refinaria da Petrobras Gabriel Passos (Regap), em Betim, que passa por lá. “Na prática, eles identificaram onde estavam os dutos e instalaram válvulas diretamente neles para fazer a retirada”, explicou o promotor de Justiça Luiz Cheib, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

Em seguida, o produto era levado a um galpão, também em Betim. “Eles tinham um sistema muito sofisticado. Tanto na chácara em Mário Campos quanto no local usado para o armazenamento, tudo era monitorado por câmeras de segurança e, à distância, por integrantes”, acrescenta Cheib. 

A gasolina furtada era pura e os bandidos adicionavam etanol para revender o produto à população. O composto químico seguia para postos em Elói Mendes, São Lourenço e Pouso Alegre, no Sul de Minas. Os empresários dos estabelecimentos também foram detidos. 

Para percorrer o trajeto, a quadrilha utilizava caminhões-baú com tanques adaptados. Os veículos eram cobertos com feno para despistar o cheiro forte. 

Por semana, eram furtados 40 mil litros de gasolina

Bando

Dentre os envolvidos estão ex-funcionários da refinaria e um homem que já trabalhou na Petrobras. O líder do bando foi detido em um resort, em Salvador (BA). Paulista e dono de duas empresas no setor de transporte, ele já havia sido preso duas vezes por furtar combustível. Também foram apreendidos uma aeronave avaliada em R$ 1 milhão, caminhões-tanque, veículos de luxo, R$ 83 mil em cheques e R$ 210 mil em dinheiro. 

Os onze suspeitos serão denunciados por furto, prática e formação de quadrilha e sonegação fiscal. As penas podem chegar a até 16 anos de cadeia.
O crime também poderá trazer danos ao meio ambiente. O superintendente de Polícia Técnica e Científica do Gaeco, Roberto Simão, explicou que a engrenagem do processo é capaz de causar explosões e vazamento de líquidos e gases no solo. 

Amostras de terra e vegetação foram colhidas para análises. “Os exames buscam exatamente entender se houve alguma contaminação, o grau disso e os riscos que os lençóis freáticos podem estar correndo”. 

Em nota, a Petrobras informou que vai colaborar com as investigações. A companhia ainda orientou a população a denunciar sempre que identificar “cheiro de combustível ou qualquer movimentação suspeita na faixa de dutos ou em terrenos próximos”. A comunicação pode ser formalizada por meio do número 168.