Imposição de metas impossíveis, isolamento, tarefas além da capacidade e humilhações públicas são só alguns dos exemplos de uma prática que torna o ambiente de trabalho em pesadelo. O número de casos de assédio moral investigados pelo Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) aumentou 20% entre 2010 e 2011 em todo o Estado. Foram 177 processos abertos no ano passado, contra 147 no anterior.

Atualmente, são 220 investigações em andamento pelo MPT. Porém, o número real de casos é desconhecido, já que muitos trabalhadores, de todas as áreas públicas ou privadas, sofrem calados e não denunciam o problema, que pode levar à depressão e até ao suicídio.

Segundo a procuradora do Trabalho Sílvia Rossi, o assédio moral sempre existiu, mas agora as pessoas denunciam mais, por estarem mais informadas. Ela diz que os empregados ficam reféns da situação, com medo e não sabem a quem recorrer. “Afeta fisicamente e psiquicamente a vítima, além de outros colegas indiretamente. É o reflexo da própria sociedade sem educação e intolerante”, afirma.

A procuradora diz que os assediadores são, normalmente, pessoas com complexo de inferioridade, dominadoras, agressivas, inseguras no ambiente de trabalho e leais à empresa. “O assédio pode ocorrer tanto do patrão para o subordinado, entre colegas e até do funcionário para o empregador”, diz a procuradora.

Sílvia ressalta que só é configurada a violência quando a prática é repetitiva. Caso provada a agressão, a vítima terá direito a rescisão indireta, recebendo todos os direitos trabalhistas. Dependendo da situação, pode conseguir danos morais e materiais. “Quando o acusado não é o empregador, ele pode ser demitido por justa causa e ser cobrado do valor da indenizado que a empresa terá que pagar à vítima”.

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