Doze casos suspeitos de sarampo são investigados em Belo Horizonte e 63 em todo o Estado. A possibilidade de a doença acometer os mineiros e os surtos registrados em cidades do Norte do país alertam para a necessidade de proteção dos menores de 5 anos contra a enfermidade. Esse é o mote da Campanha Nacional de Vacinação, iniciada ontem, que também busca imunizar as crianças contra a poliomielite.

Apesar de os centros de saúde disponibilizarem as doses durante todo o ano, pretende-se, com a mobilização, reforçar a importância de levar os filhos para receber as vacinas. De acordo com a Secretaria de Saúde de BH (SMSA), a expectativa é atingir 109,4 mil meninos e meninas até 31 de agosto.

Foi com esse intuito que a pedagoga Débora Nascimento, de 34 anos, esteve no centro de saúde do bairro Pompéia, na região Leste da capital. Ele levou o filho Lucas, de 3. “Como mãe, é meu papel cuidar da vida dele”, disse.

O Dia D da campanha será em 18 de agosto; todas as crianças menores de 5 anos devem ser vacinadas, mesmo as que estão com o cartão em dia

Desafio

Correntes propagadas na internet, conforme o Hoje em Dia já mostrou em outras reportagens, colocam em xeque a eficácia das imunizações. Em vídeos com milhares de visualizações no YouTube, por exemplo, mulheres defendem a amamentação como a única necessidade de um bebê. Há também quem argumente que a vacinação é capaz de provocar gripes e outras doenças.

Epidemiologista da SMSA, Jandira Lemos afirma que essas publicações prestam um desserviço. “Há pessoas que abrem mão das doses porque não sabem o que é uma enfermaria cheia de casos de sarampo ou desconhecem o que é ter pólio. Essas doenças não só deixam sequelas como também matam”. 

A especialista ressalta que a proteção só é contraindicada para crianças com baixa imunidade. Nesses casos, os pais são orientados pelos próprios atendentes do centro de saúde. Jandira Lemos reforça que informações seguras sobre o assunto podem ser encontradas em sites oficiais de órgãos como o Ministério da Saúde e de sociedades brasileiras médicas, como as de pediatria e infectologia.

Balanço

Na capital, até o momento, segundo a secretaria, 93% do público-alvo já recebeu a primeira dose contra o sarampo e 78% a segunda. Já o índice de proteção contra a poliomielite está em 74%. A imunização deve ser aplicada aos dois, quatro e seis meses de vida da criança. O primeiro reforço é aos 15 meses e, o segundo, aos 4 anos.