Seis pessoas foram presas suspeitas de integrarem um esquema criminoso de emplacamento de veículos em Lavras, no Sul de Minas. Nessa terça-feira (25), a equipe da Polícia Civil cumpriu seis mandados de prisão temporária contra quatro despachantes e dois funcionários do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG).

As investigações começaram a cerca de um ano, após dois homens serem presos suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas em um estacionamento da cidade. Na época, além de drogas, foram apreendidos lacres utilizados no emplacamento de veículos.

Os detidos, de acordo com a corporação, são suspeitos de integrarem uma organização que desvia lacres de placas exigidos pelos Detran-MG para emplacar, de forma irregular, veículos da região.

Foram presos os despachantes documentalistas Gil Pereira dos Santos, 48 anos, Vinícius Alcântara dos Santos, 34, Luciano Pereira dos Santos, 46, e José Fábio Vilela, 62, além dos funcionários Davi Ricardo Borges Pereira, 33, e Thomas Oliveira Resende, 36.

Esquema

Segundo o delegado Regional de Lavras, Marcelo Vilela Guerra, as apurações apontam que o esquema envolvia um emplacador cedido pelo município à Polícia Civil, despachantes e funcionários do ramo, bem como fabricantes de placas.

“Lacres que deveriam ser descartados no momento de um novo emplacamento, por exemplo, em virtude de transferência de propriedade ou troca de placa, eram guardados, perfurados na fábrica para serem novamente afixados e reutilizados em procedimentos posteriores como se fossem originais”, explica.

Conforme levantamento da polícia, pelo menos, cinco lacres eram desviados todos os dias. A surpresa do cidadão vinha quando o veículo precisava passar por nova vistoria, oportunidade em que o vistoriador percebia que o selo afixado era incompatível com a descrição lançada no sistema do Detran-MG. Nesses casos, o veículo ficava apreendido, até que se apurava que o proprietário não tinha envolvimento na fraude. “Via de regra, eram pessoas de boa fé”, esclarece o delegado.

Emplacador preso

Além dos seis suspeitos presos nessa fase da investigação, em de março deste ano foi preso temporariamente o emplacador Leocácio de Almeida Ferreira, 46 anos. O servidor municipal deixou de prestar serviços para a PCMG e foi devolvido para o município.

O trabalho investigativo continua para apurar se há outros envolvidos nos delitos. Os envolvidos podem responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa, receptação de selo ou sinal público.