Pelo menos 500 pessoas são esperadas hoje para uma manifestação em frente ao Hospital Sofia Feldman, no bairro Tupi, região Norte de Belo Horizonte. O ato visa chamar a atenção do poder público e da sociedade para a crise financeira que atinge a maternidade, considerada a maior do país. Com um déficit mensal de R$ 1,4 milhão e centenas de funcionários com salários atrasados, a realização de quase 30 partos diários pode estar comprometida.

Segundo os organizadores, devem participar do manifesto funcionários, familiares de pacientes, comerciantes locais e a comunidade que vive no entorno da instituição. O principal objetivo é fomentar um alinhamento entre a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o governo do Estado e a União, uma vez que os três entes são corresponsáveis por manter o funcionamento do Sofia Feldman. 

"Com os salários atrasados, vários colegas já se afundaram no cheque especial” (Edson Lopes, obstetra do Hospital Sofia Feldman) 

Com o atendimento 100% via Sistema Único de Saúde (SUS), a receita do hospital é de aproximadamente R$ 5 milhões mensais, sendo que 80% são de repasses da União e o restante do governo estadual. A PBH, segundo organizadores da manifestação, deixou de contribuir com a receita da instituição há cerca de cinco anos. 

O prefeito Alexandre Kalil foi convidado para o ato e confirmou presença. No entanto, ele não se pronunciou sobre a possibilidade de algum investimento na instituição.

Em reportagem publicada pelo Hoje em Dia em 18 de fevereiro, a direção do hospital alegou que a situação está fugindo do controle. “A crise já atingia os funcionários e agora começa a afetar os usuários, pois não poderemos dar vagas para partos de alto risco por não podermos atender as crianças na UTI”, afirmou na época o diretor técnico e administrativo do Sofia Feldman, Ivo de Oliveira Lopes. 

A reportagem solicitou à Secretaria Municipal de Saúde uma fonte para falar sobre o caso. Porém, a pasta se pronunciou por meio de nota, informando que o SUS-BH repassa ao hospital, mensalmente, “todos os recursos financeiros que a instituição faz jus, produção hospitalar e ambulatorial devidamente registrada e apurada nos sistemas do Ministério da Saúde, além de todos os incentivos pactuados no contrato de gestão”. 

Alcance

Em 2016, 45% dos partos realizados no hospital foram de mulheres residentes na capital. A maternidade recebeu pessoas de 300 municípios do Estado, por ser referência no atendimento a partos de alto risco e por ter mais de 80 leitos nas unidades de Terapia Intensiva (UTI) e de Cuidados Intermediários (UCI).

O Sofia Feldman também é referência nacional pelo trabalho diferenciado no tratamento dado à gestante. O hospital conta com uma taxa de 72,8% de partos normais, estatística que só não é maior porque a maternidade recebe um grande número de mulheres que vivenciam uma gravidez de risco. 

Entre os bebês que tiveram de ficar internados em 2016, 34% eram filhos de moradoras de cidades que não fazem parte da região metropolitana.