Graças a financiamentos de órgãos brasileiros e internacionais, milhares de pesquisadores conseguem desenvolver projetos que agregam conhecimento a diversas áreas e podem até se tornar referências mundiais. É por meio de verbas como essas, por exemplo, que Laila Nahum, professora de mestrado de Tecnologias Aplicadas à Saúde das Faculdades Promove, conduz um estudo para identificar, caracterizar e produzir antígenos e proteínas de agentes causadores de doenças como a esquistossomose.

O trabalho da professora, que também é membro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Minas Gerais, é financiado por entidades como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq) e a organização norte-americana National Institutes of Health. Ensinar a elaborar projetos de pesquisa que consigam acesso a verbas de países e instituições estrangeiras, como o de Laila, é o principal objetivo do workshop internacional “Researchers Connect Persuasive Proposals”, que ocorre na Faculdade Promove, na capital mineira, no campus João Pinheiro.

O workshop é ministrado pela professora Sandra Sparks, da Inglaterra, representante do British Council, e tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). “Estamos vendo técnicas que são essenciais para pesquisadores acadêmicos. Vamos aprender como escrever resumos e propostas de projetos de pesquisa e também como trabalhar em projetos colaborativos”, explica Sandra.

O workshop internacional termina nesta quarta-feira (8) e é aberto a doutores e doutorandos de qualquer instituição; as atividades vão das 9h às 17h

De acordo com o diretor-geral da faculdade, Dante Cafaggi, o evento internacional dará visibilidade maior para a educação e os projetos de pesquisa no Estado.

A professora Rosângela Silqueira Hickson, coordenadora do mestrado profissional em Tecnologias Aplicadas à Saúde da universidade, destaca ser importante que as universidades brasileiras internacionalizem os estudos e estabeleçam diálogo com órgãos internacionais. “Temos muito o que aprender com o que é feito no exterior. Não só em questão de financiamento, mas é bom ter a ajuda de outras pessoas que estão em um ponto mais avançado. Conseguir recursos no Brasil é muito difícil e os órgãos de fora têm muita verba para destinar a países emergentes. O Reino Unido, por exemplo, destina cerca de 8 bilhões de libras esterlinas para pesquisa nesses locais. Eles estão nos ajudando, não só com dinheiro, mas a aprender a fazer, porque a tecnologia é muito mais avançada que a nossa”, diz.

Disputa acirrada

Laila Nahum se inscreveu no workshop para entender melhor as técnicas de escrita e envio de propostas. Ela diz que, apesar dos bons projetos desenvolvidos em universidades e centros de estudos no Brasil, a concorrência para bolsas nacionais e internacionais é muito acirrada. “Os financiamentos existem, mas os processos seletivos são extremamente disputados. Quanto melhor forem as nossas propostas, mais chances teremos de conseguir as verbas para os projetos”.