Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, o homem que matou 12 pessoas em Campinas, no último domingo, mostrou em uma carta que o distanciamento do filho seria a motivação para os crimes. As visitas à criança eram restritas, mas havia um embasamento jurídico para isso: sua ex-mulher, Isamara Filier, de 41 anos, registrou cinco boletins de ocorrência contra o ele por crimes de agressão e ameaça, além de denunciá-lo por abuso sexual contra o filho na Justiça. Os dois foram mortos por Sidnei, que se matou após os crimes. 

Esse não foi o único caso em que a disputa judicial pela guarda de um menor foi o estopim para um crime trágico. Em novembro do ano passado, uma mulher matou a própria filha de 2 anos com uma facada, em Lavras, Sul de Minas, afirmando que não estava satisfeita com a guarda unilateral dada ao pai. Para a polícia, ela teria dito que se ela não podia ficar com a filha, o pai também não poderia. 

Caso Joanna
A morte de Joanna Marcenal, aos 5 anos, em 2010, também estava relacionado a uma disputa judicial. Após 26 dias em coma em um hospital do Rio de Janeiro, a menina morreu de meningite viral, mas descobriu-se que a doença só chegou a tal estado de agravamento por conta de agressões físicas – ela chegou ao hospital com hematomas nas pernas e sinais de queimaduras nas nádegas e no tórax. 

Os supostos maus-tratos sofridos por Joanna teriam sido cometidos pelo pai, André Rodrigues Marins, e pela madrasta, Vanessa Maia. Antes de ele ter a guarda da garota, houve uma intensa disputa judicial com a mãe de Joanna, Cristiane Marcenal, que acusou a Justiça de ter favorecido o pai da menina por ele ser técnico do Judiciário. Até hoje, André a Vanessa não foram julgados. O caso segue em segredo de Justiça.

Em 2015, uma idosa de 60 anos foi assassinada em meio a uma briga motivada por uma disputa judicial, em Condeúba, na Bahia. A principal suspeita do crime foi a ex-nora, mãe de uma criança de 6 anos, que estava sob a guarda da avó. 

Há dois meses, o americano Erick Ramires matou os filhos brasileiros de 9, 7 e 5 anos, em Porto Rico, e depois se suicidou. Embora não tenha relação com um processo judicial, Erick tomou a atitude após o pedido de separação da mulher, natural de Santa Catarina, e dias antes de audiência de uma ação contra ele por violência doméstica. 

 

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