A preocupação agora dos moradores dos apartamentos interditados no bairro Camargos, na região Noroeste de Belo Horizonte, é com novos desmoronamentos. Muitos saíram às pressas após a queda de parte do muro de arrimo, nessa quarta-feira (14), e conseguiram levar pouca coisa de casa. Vários documentos e objetos de uso pessoal foram deixados para trás. Só após a primeira vistoria da Defesa Civil, eles conseguiram retornar e pegar objetos mais importantes. Na manhã desta quinta-feira (15), uma nova vistoria foi realizada para avaliar mais danos causados pelo queda.

Moradores relataram que o muro começou a dar sinais de deslizamento por volta de 15h30, quando mensagens sobre o risco de queda começaram a circular no grupo de whatsapp do condomínio. Uma hora depois, as primeiras estruturas de concreto começaram a ceder. O auxiliar administrativo Itamar Vieira contou que a esposa ligou pra ele no início da noite chorando. "Ela disse que estava retirando alguns pertences da casa, quando outro desmoronamento foi registrado. Ela teve que sair correndo", disse. 

Itamar falou ainda que o apartamento dele foi um dos mais atingidos. A terra invadiu o quarto do meu filho de 7 anos e o meu; destruiu colchão, guarda-roupa, cama; quebrou janela e porta..." Ele e a família tiveram que dormir na casa de parentes e agora esperam um retorno da empresa Tenda, responsável pela construção do condomínio, quanto ao destino das famílias atingidas.

 

Muro cede e prédio é interditado no Camargos40 apartamentos foram interditados

Segundo a Defesa Civil, os blocos 13 e 14 foram interditados. A área de serviço do apartamento 104 e o plator 2 da garagem foram isolados. O Condomínio foi notificado assim como a Tenda, que deve também realizar plano de ação e laudo de estabilidade. Por meio de nota, a Construtora informou que "providenciou a remoção das famílias para um hotel e que está prestando toda a assistência necessária aos moradores do residencial". 

Letícia Rosa Ferreira também teve o apartamento interditado. Ela está grávida e contou que, apesar da Construtura Tenda ter oferecido um hotel, preferiu ficar na casa da mãe, por questões financeiras. "Minha compra do mês está toda dentro de casa, no hotel é só café da manhã, não tenho dinheiro pra ficar pagando almoço e janta", explicou. Ela disse ainda que o hotel é longe do trabalho dela e que mudaria toda rotina da família. 

Na manhã desta quinta-feira (15), Letícia disse que chegou a subir para pegar alguns pertences, mas acabou descendo com medo. Os poucos objetos de higiene, roupas e documentos foram retirados pelo marido depois. "A situação só está piorando, tenho medo de mais deslizamentos", disse.

A Tenda informou que está com uma equipe dedicada a esclarecer as causas do ocorrido.

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