O Brasil chora pela tragédia com o avião que transportava jogadores, comissão técnica e dirigentes da Chapecoense, além de jornalistas e convidados. O desastre aéreo com 71 mortos comoveu o mundo. Embora tenha ocorrido na Colômbia, causou angústia entre as autoridades responsáveis pelo espaço aéreo brasileiro, que nos últimos anos comemoram a diminuição dos acidentes e óbitos.

A quantidade de pessoas mortas na queda do voo da Chape, próximo a Medellín, é 22,4% maior do que a registrada em acidentes aéreos no Brasil em 2015: foram 58. Os dados são do Centro de Prevenção e Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

“A formação dos pilotos da aviação regular é melhor, eles têm mais consciência aeronáutica” (Ronaldo Santiago, piloto de avião)

Desde 2011, quando houve 96 mortes em quedas de avião no território brasileiro, as estatísticas do setor subordinado à Aeronáutica vêm diminuindo. A quantidade de acidentes também está em queda. Foram 185 em 2012 e 126 no ano passado (redução de 31,9%). 

Por meio da assessoria de imprensa, o Cenipa informou que só poderá divulgar os dados de 2016 após 31 de dezembro. Contudo, adiantou que os números apontam para a continuidade da queda de acidentes e óbitos.

Em Minas

Em 2015, o Cenipa registrou 12 acidentes aéreos em Minas, mesma quantidade que no ano anterior. O número de óbitos, no entanto, subiu de três para 18 (166,7%). 

Minas é o quinto no ranking de quantidade de acidentes por Estado, com 6,6% das ocorrências anotadas pelo Cenipa de 2006 a 2015 na aviação civil. Foram 86, com 57 mortos.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) comemora o baixo número de acidentes na aviação regular, ou seja, nos voos comerciais. Desde 2006 foram apenas dois em Minas (em Confins e Varginha), ambos sem vítimas.

No Brasil, segundo o órgão federal, “2015 foi o quarto ano consecutivo sem registro de fatalidades na aviação comercial”. “Reflete a qualidade das ações que vêm sendo desenvolvidas pela Anac”, destaca, sem informar quais.

Capacitação

Piloto de avião com 21 anos de experiência, Ronaldo Santiago Silveira explica porque há mais acidentes com mortes em voos particulares, como o da Chapecoense.

“O número de decolagens é muito maior que na aviação regular. Além disso, os pilotos das empresas aéreas (voos comerciais) são mais preparados para garantir maior segurança”.

Em Minas, Juiz de Fora teve a maior quantidade de óbitos

Nos acidentes aéreos registrados em Minas de 2006 a 2015, a maior quantidade de mortes foi em Juiz de Fora. Relatório do Cenipa aponta dez óbitos no município da Zona da Mata.

Oito foram na queda de um bimotor em 28 de julho de 2012. A avião decolou no Aeroporto da Pampulha com executivos da Vilma Alimentos e familiares deles. Quando se preparava para pousar em Juiz de Fora, caiu sobre uma pousada.

A última tragédia com voo comercial no Brasil foi em junho de 2009, quando a aeronave da Air France que ia do Rio de Janeiro a Paris caiu no mar, a 600 quilômetros de Fernando de Noronha: 228 pessoas morreram

Dos 57 óbitos em desastres aéreos ocorridos em Minas nos dez anos, 48 foram na aviação particular. Os demais na queda de aeronaves experimentais e agrícolas, de acordo com o Cenipa.

Pane seca

A falta de combustível (pane seca), apontada como a causa do acidente com a delegação da Chapecoense, foi responsável por 4,4% dos desastres aéreos no Brasil, de 2006 a 2015.

“A responsabilidade pela quantidade de combustível de acordo com o plano de voo é do piloto. Apenas a fiscalização das autoridades responsáveis pelo espaço aéreo não adianta. Se a pessoa que comanda a aeronave quiser, ela consegue driblar essa fiscalização. Por isso, o piloto precisa ter uma formação compatível com a responsabilidade que ele assume ao sentar na cadeira de comandante”, destaca o piloto Ronaldo Santiago Silveira.

Acidentes aéreos mais recentes no Brasil:

- 7 de dezembro: aeronave de pequeno porte, de matrícula PT-REI, caiu em uma área de floresta na zona Centro-Sul de Manaus. Houve explosão e cinco pessoas morreram, entre elas uma criança. A sexta vítima foi socorrida, mas, no hospital, não resistiu aos ferimentos.

- 4 de dezembro: quatro pessoas morreram na queda de um helicóptero em São Lourenço da Serra, na Grande São Paulo. A aeronave levava uma noiva para o casamento. Ela foi uma das vítimas.

- 24 de setembro: avião monomotor caiu durante apresentação de acrobacias em Maringá, Noroeste do Paraná. O piloto da aeronave, Luiz Dell Aglio, morreu na hora.

23 de setembro: queda de avião bimotor matou quatro pessoas na zona rural de Campinápolis, a 565 quilômetros de Cuiabá.

- 15 de setembro: avião monomotor caiu na área urbana do município de Novo Progresso, no Sudoeste do Pará, resultando na morte de quatro pessoas. Três ocupantes da aeronave ficaram feridos.

- 31 de julho: avião de pequeno porte caiu em cima de uma oficina mecânica em Londrina, no limite com Cambé, no Norte do Paraná. Cinco pessoas morreram, todas ocupantes da aeronave.