Todos os dias, a Prefeitura de Belo Horizonte recebe, em média, mais de 40 reclamações sobre buracos nas vias da cidade. O problema, que afeta moradores de todas as regiões, deve ser motivo de dor de cabeça ainda maior por causa da previsão de um período chuvoso mais rigoroso. Com as precipitações constantes, o impacto para o pavimento aumenta, trazendo dificuldades para os motoristas.

Os pedidos de reparos feitos ao município pela população até meados de novembro deste ano já ultrapassam o total de registros de todo o ano passado. Em 2016, já foram contabilizadas 12.859 reclamações, contra 11.805 de 2015. 

“São dois fatores que se somam, a chuva mais constante que encharca o solo e prejudica o pavimento e o prazo de vida útil dessas vias, projetadas para um tráfego de menor intensidade. Tudo isso contribui para o desgaste”, explica o presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape), Clémeanceau Chiabi.

 

Arte sobre buracos em BH


Ranking

A região da Pampulha é a campeã no número de pedidos de reparos nas vias. Andando pelas ruas do bairro é possível perceber que até os locais mais novos já apresentam problema, como é o caso da avenida Tancredo Neves. Com asfalto irregular e buracos, ela é uma das vias que mais incomoda os moradores.

Outra que também tem exigido cuidado dos motoristas é a rua Mantena, no bairro Ouro Preto. Por causa do grande fluxo de veículos no local, os buracos têm se multiplicado rapidamente. “Todo ano acontece a mesma coisa, a gente reclama e a prefeitura faz o reparo, mas não faz o recapeamento. Isso não resolve porque, pouco tempo depois, o problema volta”, afirma o presidente da Associação Comunitária do Bairro Ouro Preto, Márcio Saldanha.

As reclamações das condições das vias na região Leste de BH também chamam a atenção porque os registros no 156, central de atendimento do município, relativos a esta área mais que duplicaram neste ano em comparação com 2015. Passaram de 512 no ano passado, para 1.369 em 2016.

Sem saída

Os moradores reconhecem que, apesar de provisória, a solução dada via tapa-buraco é rápida. E este deve ser mesmo o caminho, já que o custo é bem menor. “Trocar o pavimento fica muito mais caro, então essa é a opção correta para o momento de crise financeira”, ressalta Chiabi.

Os pedidos de tapa-buraco feitos junto à prefeitura são a quarta maior demanda entre todos os serviços ofertados pelo 156 neste ano. Perdem apenas para solicitações relacionadas à iluminação pública, controle de focos de dengue e corte e poda de árvores. 

Em nota, a PBH informou que “assegura a preservação do espaço público e o desenvolvimento dos serviços de manutenção da infraestrutura urbana, através das ações de pavimentação corretiva (serviços de tapa buraco) e preventiva (recapeamento de vias)”. 

Em 2015, foram recompostos mais de 422 mil metros quadrados de pavimento asfáltico nas nove regiões da capital.

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