Uma nova estratégia dos criminosos para driblar a polícia aterroriza quem tem carro em Belo Horizonte. Em poucas horas, veículos roubados ]têm as placas trocadas – até mesmo por modelos diferentes – como forma de despistar investigadores e motoristas e são levados em tempo recorde para desmanche.

Em plena campanha eleitoral, o Fiat Doblò usado pelo comitê de um candidato à PBH não foi poupado. Por volta das 20h do dia 28 de setembro, o automóvel foi roubado na Alameda Ipê Branco, bairro São Luiz, Pampulha. O veículo foi encontrado no dia seguinte em Vespasiano, Grande BH, com a placa de um Fiorino e sem a plotagem das eleições.

Em julho, a enfermeira F.M.L., de 42 anos, teve o HB20 branco levado por três homens quando ela chegava em casa, em Venda Nova. O carro foi encontrado quatro dias depois na garagem de um prédio residencial no bairro Serra Verde, na mesma região, com a placa de um Palio.

4.365 veículos foram furtados e roubados em Belo Horizonte de janeiro a julho deste ano; no mesmo período de 2015 foram 3.580; o crescimento foi de 21,9%
 

Nos dois casos, sorte dos proprietários. Os donos do Doblò conseguiram recuperar o automóvel por conta de um rastreador. Já a enfermeira teve de volta o HB20 graças ao olhar atento da síndica do prédio onde ele foi encontrado. A moradora desconfiou do carro desconhecido parado há dias por lá e acionou o 190. Ninguém foi preso. Não fosse isso, conforme fonte policial ouvida pela reportagem e que pediu anonimato, dificilmente os bens seriam recuperados.

A PM informou que a busca e a checagem de carros suspeitos são feitas por meio de câmeras inteligentes, como as do Olho Vivo, e também com a abordagem do policial a todos os veículos com características semelhantes às do que foi levado pelos bandidos a destino do desmanche

Ainda segundo essa fonte, a prática está mais recorrente desde o segundo semestre de 2015. A ousadia é tamanha que os bandidos nem se importam de colocar a placa de um veículo diferente. “Utilizam as (placas) que não têm queixa de furto. O cidadão hoje usa frequentemente o aplicativo Sinesp Cidadão para checar a placa de um carro, mas, muitas vezes, ao consultar o sistema, só observa a placa, não atenta para o modelo dele, que passa despercebido”, diz.

Sem números

Apesar de não ter estatísticas desse tipo de crime, o delegado Enrique Solla, chefe da Delegacia Especializada de Investigação de Furtos e Roubos de Veículos Automotores, afirma que há muitos casos de veículos roubados com placas trocadas. “Quando um veículo é roubado, a vítima aciona o 190, que lança um aviso na rede sobre o roubo. O criminoso troca a placa para despistar a própria polícia. Se o carro passa ao lado de uma viatura e o policial vê que, apesar de ser um carro com as mesmas características, a placa é diferente, ele passa despercebido. Conseguindo driblar a polícia, leva o carro para ‘esfriar’, ou seja, deixar parado até levar para desmanchar”, comenta.

“Ao receberem a informação de um veículo roubado, os policiais param todo veículo que tenha as características compatíveis para, depois, verificar a placa e conferir se é a original ou se pertence a um outro carro, por exemplo” Capitão Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da Polícia Militar)

Enrique Solla ressalta que a troca de placas é diferente do crime de clonagem, quando a identificação é adulterada com os mesmos números e letras da original e colocada em um carro de mesmo modelo. “Quem faz isso tem que fazer uma pesquisa intensa e ter contato com alguma fábrica de placas que fará uma ilegalmente. O objetivo é continuar andando com o carro, praticando outros crimes”.