Mudanças bruscas de temperatura, o tempo seco dos últimos meses e o surto de H1N1 levaram à internação de 44 mil mineiros por pneumonia em apenas sete meses. Mais de 4 mil vítimas da doença não resistiram e morreram. Médicos alertam para os riscos e reforçam que a enfermidade – velha conhecida dos brasileiros, mas muitas vezes de perigo subestimado – pode ocorrer mesmo em plena primavera ou no verão.

“É comum nos meses mais frios, mas pode acontecer em qualquer época”, afirma o pneumologista Márcio Freitas Guimarães. Conforme o médico, o tipo mais frequente é a pneumonia bacteriana, que oferece o contágio pelo meio ambiente. 

Porém, ele chama a atenção para as pessoas que estão gripadas. Sem o tratamento adequado, o quadro de saúde delas pode evoluir para uma pneumonia viral. “O que pode acontecer nos casos de Influenza A é a pessoa não saber que está infectada com este vírus”, diz.

Uma situação semelhante foi vivida pelo empresário Henrique Barcello, de 29 anos. Ele conta que em julho manifestou sintomas parecidos com os de uma alergia que sempre tem nessa época do ano. “Comecei a me tratar por conta própria e mantive as atividades normais de trabalho e exercício físico”. Entre os primeiros sintomas e a ida ao hospital se passaram 15 dias. 

“Só fui porque comecei a sentir calafrios e febre. Não conseguia nem levantar da cama. O médico disse que foi uma gripe mal curada”, conta. O jovem ficou cinco dias internado e mais dez fazendo o tratamento em casa. “É uma dor horrível, principalmente por causa da tosse e da dificuldade de respirar. Depois disso aprendi a não me automedicar e a procurar o médico logo nos primeiros sintomas”.

A necessidade de buscar auxílio médico é destacada pelo clínico-geral dos hospitais João XXIII e Risoleta Neves, Marcelo Lopes Ribeiro. “Muitas pessoas, principalmente jovens e adultos saudáveis, ao ficarem gripadas demoram a procurar ajuda médica e só o fazem quando o quadro da doença já está avançado e isso dificulta o tratamento”. 

O médico acrescentou que 2016 foi um ano “muito seco”, o que propicia o aumento de doenças respiratórias, como gripe, rinite, sinusite, amigdalite e até a pneumonia. 

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, as notificações de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave – grupo de inclui pneumonias, bronquites, bronquiolites e outras infecções de vias aéreas inferiores – mais que dobraram nos nove primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2015, na capital. Ao todo, 1.532 pacientes buscaram socorro nas unidades de saúde de BH. 

VACINAÇÃO

O médico Marcelo Lopes Ribeiro reforça que a melhor forma de prevenção está nas vacinas, tanto da gripe quanto da própria pneumonia. Na rede pública, a imunização é oferecida a menores de 2 anos e idosos que vivam em asilos ou casas de apoio. Em clínicas particulares, o valor varia de R$ 120 a R$ 300. (Com Mariana Durães)