Uma das escolas mais antigas de Belo Horizonte, onde já estudaram alunos ilustres como Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e Fernando Sabino, vai passar por uma remodelagem após mais de 100 anos de existência. Já tombado como patrimônio cultural da capital, o Colégio Arnaldo, na região Centro-Sul, vai ganhar uma nova estrutura com contornos mais modernos e harmonizados com o prédio centenário de fachada tradicional.

O projeto prevê a derrubada das edificações onde hoje funcionam o atendimento a alunos da educação infantil (na rua Ceará), a companhia da Polícia Militar e uma escola de inglês (na Timbiras), além da quadra coberta do pátio e a piscina do colégio. No lugar, será erguido um prédio de sete andares, um estacionamento subterrâneo para cerca de 300 vagas, novas quadras e piscina. Auditório, pátio e entorno da escola serão restaurados.

“Essas intervenções já foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de BH e agora estamos complementando o estudo de impacto de vizinhança, apresentado em meados deste ano. Após essa fase, apresentamos o projeto executivo para liberação do alvará”, explica João Guilherme Porto, assessor da Associação Propagadora Esdeva, mantenedora do colégio.

A reforma atende a um questionamento antigo da própria prefeitura que, por meio de órgãos distintos, tentava solucionar o imbróglio entre a parte tombada – todo o prédio que vai da avenida Bernardo Monteiro até a Carandaí – e o restante que não é protegido.

“Optamos pela construção de algo que seja aprovado pelo patrimônio, converse com o edifício e otimize o espaço, para que tenhamos mais 100 anos de existência”, afirma Porto. A previsão é a de que a obra seja iniciada no segundo semestre de 2017, em julho ou dezembro, períodos de férias escolares. Ela deve ser concluída em dois anos.

Colégio ArnaldoDE SAÍDA – Espaço que será reformado abriga edificações utilizadas pelo Arnaldo, além de uma unidade da PM e escola de inglês

Impacto

Caso haja a necessidade de transferência de alunos por causa da reforma, ainda não está certo se alguns deles deverão ser encaminhados para a unidade do bairro Anchieta ou se um imóvel nas imediações da sede no bairro Funcionários será alugado para receber os estudantes. 

É possível fazer a obra com todos alunos dentro do colégio. Mas seria uma irresponsabilidade muito grande falarmos sobre isso sem ter a construtora contratada para saber o que vai ser feito e de que forma será feito”, ressalta Porto.

Ao todo, a obra deve custar cerca de R$ 50 milhões. O recurso será viabilizado pela comercialização de Unidades de Transferência do Direito de Construir (UTDCs), prevista na legislação municipal, e outras fontes de renda. De acordo com a administração do Colégio Arnaldo, o custo da reforma está previsto no orçamento e não deve impactar no preço da mensalidade.