Mais de dois milhões de mudas nativas de Mata Atlântica já foram plantadas na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Bulcão, mantida pelo Instituto Terra em Aimorés, no Vale do Rio Doce. Agora, a unidade de conservação ambientam passa por novo reflorestamento.

O objetivo é plantar árvores maiores para aumentar a biodiversidade da floresta, que mudou o cenário desértico da região. Cerca de 17 mil mudas de mais de 30 espécies serão plantadas com recursos angariados em outros países.

Ao receber o título de RPPN, em 1998, a Fazenda Bulcão era completamente degradada; o fotógrafo Sebastião Salgado e a mulher dele, Lélia Deluiz Wanick Salgado, assumiram o compromisso de reflorestar a área recortada pela erosão

Nos últimos 17 anos, a Bulcão recebeu mais de cem espécies por área de plantio, com destaque para as que têm crescimento rápido, cobrem bem o solo e incorporam matéria orgânica e nutrientes. São árvores que protegem o terreno das chuvas, promovendo melhorias nas características físicas e químicas.

Foi uma etapa voltada para a proteção do solo, garantindo disponibilidade de alimentos para a fauna, que também contribui na regeneração da floresta, com a polinização e dispersão das sementes.

Continuidade
Nesta segunda etapa será feito o enriquecimento da área da fazenda com espécies denominadas de clímax, ou seja, árvores que dominam as copas da floresta, mais robustas e que vivem mais tempo. Alguns exemplos são braúna, pau-brasil e pitomba.

Segundo o gerente ambiental do Instituto Terra, Jaeder Lopes Vieira, a nova etapa mostra que refazer uma floresta significa muito mais que o plantio de mudas nativas.

“Florestas não são apenas árvores, mas se constituem das interações dessas árvores com a fauna e outros tipos de vegetação. São essas interações que, após destruídas pelo homem, apresentando alguns fragmentos, mas necessitam de intervenções para se restabelecer”, explica.

Investimento
A nova fase do reflorestamento conta com o apoio financeiro da Crédit Agricole Suisse Foundation, que vai destinar cerca de 70 mil euros para o plantio das mudas de espécies nativas.

Foram plantados exemplares de amendoim de Minas, angico-canjiquinha, angico-curtidor, araçá, aroeira-do-sertão, cajá-mirim e peroba-amarela; na reserva são executadas atividades de pesquisa e educação ambiental

Pelo menos 60% dos recursos já foram investidos para garantir a sobrevivência dessas novas mudas até dezembro. O dinheiro é usado em atividades como controle de pragas e roçadas seletivas. As novas mudas vão cobrir 17,5 hectares da RPPN criada em Aimorés, que tem área total de 608,6, o equivalente a 842 campos de futebol.