Um exército de 2,1 milhões de jovens está apto a ajudar a banir o mosquito Aedes aegypti do mapa. A expectativa é a de que esse contingente, mobilizado direto das salas de aula de escolas públicas e particulares mineiras, ajude a monitorar e a eliminar os criadouros do mosquito no âmbito familiar. Os estudantes servirão, ainda, de multiplicadores das boas práticas contra o mosquito vetor da dengue, zika e chikungunya.

Nessa sexta (19), no dia de mobilização nacional da educação pelo combate ao Aedes, os alunos tiveram uma aula sobre prevenção. O tema será abordado nas escolas cotidianamente. “É importante que a gente possa fazer essa conscientização nas escolas. São dez minutos por dia ou por semana”, explica a secretária de Estado de Educação, Macaé dos Santos.

Apesar de ter um dia específico para a intensificação das ações, a recomendação do MEC é a de que a campanha seja permanente e conte com pelo menos seis servidores em cada escola, engajados no trabalho de conscientização.
“Nós estamos vivendo um problema extremamente difícil de saúde pública. Se não tiver o envolvimento de todos, não vamos vencer essa luta. Esses estudantes podem ser nosso multiplicadores”, afirma a secretária Municipal de Educação, Sueli Baliza.

Passeata

Na Escola Municipal Júlio Paraíso, no bairro Alípio de Melo, na região Noroeste, alunos saíram com agentes da prefeitura e educadores para alertar moradores sobre os riscos do acúmulo de água parada. Eles também levaram um questionário para ser respondido em casa. No check list, eles precisam verificar vasos sanitários, ralos e pratos de plantas.

Alunos da Escola Estadual Paschoal Comanducci, no Jaqueline (Venda Nova), participaram de uma força-tarefa contra o mosquito. Eles plantaram manjericão e citronela, repelentes naturais do inseto. Eles ainda produziram armadilhas de garrafa PET.
 
Colégio Particular

A rede particular não ficou de fora da campanha. Estudantes do Colégio Franciscano Sagrada Família, no Caiçara (Noroeste), vistoriaram o pátio em busca de locais que poderiam se tornar focos do mosquito.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, esteve em BH e destacou a mobilização de todo o país. Ele reforçou o pedido para que a população facilite a entrada dos agentes de saúde nos imóveis.
 
Dilma dá aula sobre zika na Bahia

A presidente Dilma Rousseff deu aula sobre o mosquito Aedes aegypti para alunos do Colégio da Polícia Militar Alfredo Vianna, em Juazeiro, na Bahia, por ocasião da Campanha Zika Zero nas escolas. Ela pediu que os estudantes ajudem no combate ao mosquito, que é o transmissor da dengue, da febre chikungunya e do vírus zika. “Peço a vocês que falem com seus amigos, seus parentes, vizinhos, para que a gente possa combater esse mosquito. Vocês têm um papel muito importante na família de vocês, na comunidade. O mosquito não pode ser mais forte que um país inteiro”, afirmou a presidente, que explicou o surgimento do vírus zika e alguns dos sintomas da doença.

Confirmação da causa da microcefalia mais perto

A Organização Mundial de Saúde declarou ontem que deve demorar meses até que se possa dizer com certeza que o vírus da zika provoca microcefalia em recém-nascidos, mas que as provas estão se acumulando. “Temos hoje um acúmulo crescente de índices em favor desta relação”, disse à imprensa Bruce Aylward, diretor-geral adjunto da OMS. O vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, é suspeito de provocar graves problemas neurológicos tais como a microcefalia (redução do perímetro craniano, prejudicial ao desenvolvimento intelectual) em recém-nascidos e a síndrome de Guillain-Barré, doença neurológica que pode levar a uma paralisia irreversível ou até a morte. Enquanto não há essa certeza, “o vírus é considerado como culpado até que sua inocência seja provada”, disse o número dois da OMS.