Pelo menos uma vez por semana, a prefeitura fará a operação Entrada Forçada em imóveis das nove regionais de Belo Horizonte para eliminar o Aedes aegypti. Se os donos não forem localizados após duas tentativas dos agentes de saúde, em dez dias, as propriedades poderão ser abertas por chaveiros ou arrombadas, se necessário.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de BH, coronel Alexandre Lucas Alves, será priorizada a abertura de imóveis abandonados, devido à maior possibilidade de concentração de focos do mosquito. Nessa quarta (17), equipes da Defesa Civil e da Zoonoses, que participam da operação, abriram o primeiro nesta situação.

Localizada na rua Padre Odorico, no bairro São Pedro, região Centro-Sul, a casa de três andares, incluindo a cobertura, onde funcionava uma boate, está fechada há quatro anos. Vizinhos denunciaram a possibilidade de ela abrigar focos do Aedes sete vezes, neste ano.

“Nos imóveis com características de abandono, não precisamos de autorização nem de aviso prévio para entrar”, afirma o Alexandre Lucas. Sem informar quantas, ele disse que outras propriedades das regiões Centro-sul e Norte serão vistoriadas nesta semana.

Nesta quinta-feira (18), um imóvel localizado na rua Janaitiba, no bairro São Geraldo, região Leste de BH. Equipes da regional, Defesa Civil e Guarda Municipal abriram o imóvel com o auxílio de um chaveiro para realizar vistoria e tratamento contra a dengue. 

Segundo o secretário municipal de administração da regional Leste, Eduardo Janot, o imóvel, que já abrigou uma escola, estava há três anos fechado. “A prefeitura não tinha nenhum tipo de acesso. É um imóvel que não sabíamos o que iríamos encontrar”.

Vários recipientes com acumulo de água foram localizados na propriedade, como baldes e garrafas, além de calhas entupidas. Também foram encontradas madeira velha, que podem servir para proliferação de escorpiões. “A situação está caótica”, afirmou Janot.

A aposentada Maria da Conceição Leite Gusman, de 85 anos, comemorou a abertura do imóvel. “Lá tá cheio de bagulho, móveis velhos, tem poço d'água. É coisa demais”, disse Maria.

Força-tarefa

À tarde, outro imóvel localizado na rua Benvindo Guimarães, no bairro Nova Iorque, em Venda Nova, será alvo da operação Entrada Forçada. A previsão é de que pelo menos uma vez por semana cada regional faça a abertura de imóveis com características de abandono ou com proprietário ausente.

Retrabalho

Como o Hoje em Dia mostrou nessa quarta (17), não foi concluído o levantamento dos imóveis que serão alvo da operação. Segundo o coronel, antes de 1º de fevereiro, quando entrou em vigor a medida provisória que permite a entrada em imóveis fechados, as regionais mapearam apenas os locais onde os agentes de saúde estavam sendo barrados.

“O mapeamento não era divido em imóvel abandonado e com morador ausente. Como a medida provisória recomendou isso, estamos refazendo todo o planejamento”, disse.

Agentes encontram obstáculos em casa fechada há quatro anos
 
Para entrar no imóvel fechado há quatro anos no bairro São Pedro, além do auxílio de um chaveiro, funcionários da Defesa Civil de BH precisaram pular o muro do prédio ao lado. As portas estavam reforçadas com grades e barras de ferro.

Foram mais de 30 minutos para conseguir acesso ao local vistoriado na operação Entrada Forçada. De acordo com vizinhos, a propriedade é de um homem que mora na casa ao lado.

No imóvel, foram encontrados vários recipientes com acúmulo de água e dois pontos com larvas do Aedes aegypti: na cozinha e em frente à casa, embaixo de uma escada de madeira.

“Nos incomoda muito esta casa fechada e vazia. Eles não limpam o imóvel”, lamentou o aposentado Jacob Blanck, de 68 anos.

Sem contato

A coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses da regional Centro-Sul, Luciana Rocha, disse que a prefeitura tentou fazer contato com o dono do imóvel na rua Padre Odorico várias vezes, mas não obteve sucesso.

Foi emitida uma autuação e multa de R$ 2.100. “Por várias vezes tentei contato com ele, que nunca respondeu”, afirmou Luciana.

Após a entrada dos agentes de saúde, nessa quarta (17), a filha do proprietário e um advogado chegaram para tentar impedir o acesso das equipes da prefeitura e da imprensa.