Após ser indiciada pela Polícia Federal, junto com a Samarco, a VOGBR e mais sete pessoas físicas, pelo caso do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, a Vale garantiu que vai provar tecnicamente que não tem culpa. A empresa considerou o ocorrido como sendo um acidente, conforme nota enviada à imprensa.

Ainda segundo o comunicado, as motivos da barragem de rejeito ter se rompido ainda são desconhecidos e "o indiciamento reflete um entendimento pessoal do delegado". A Vale chamou de "teórica" a responsabilidade apontada pela PF.

Os indiciados respondem por "causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora", condutas previstas na Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). Se forem condenados, a legislação prevê pena de prisão de até 5 anos.

Foram indiciados, também, o Coordenador de Monitoramento das barragens, a Gerente de Geotecnia, o Gerente Geral de Projetos e responsável técnico pela barragem Fundão, o Gerente Geral de Operações, o Diretor de Operações, o Diretor-Presidente da Samarco, bem como o engenheiro responsável pela Declaração de Estabilidade da barragem Fundão em 2015, funcionário da empresa que atestou a estabilidade das barragens.

Procurada, a Samarco também alegou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "não concorda com o indiciamento de seus profissionais porque até o presente momento não há uma conclusão pericial técnica das causas do acidente."

Em nota, a Polícia Federal esclareceu que as investigações continuam e ainda podem ocorrer novos indiciamentos. "A atuação da Polícia Federal no caso se deve a sua atribuição para investigar crimes ambientais, tendo os dejetos atingido o leito do Rio Doce, que é bem da União (posto que banha mais de um Estado da Federação)", detalha o texto.