A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Pampulha, em Belo Horizonte, está isolada devido à forte suspeita de um caso de ebola de um paciente que deu entrada no local na terça-feira (10), por volta das 20h.

O homem, brasileiro de 46 anos, chegou da Guiné, na África Ocidental, há duas semanas, com fortes indícios da doença e está em uma área isolada da unidade. Ele teria ficado dois meses naquele país, onde a doença ainda não foi controlada. Pacientes que estavam sendo medicados no local estão sendo liberados, mas apenas funcionários podem entrar.

Por volta do meio-dia, o paciente foi transferido para o Hospital Eduardo de Menezes. De lá, ele será transferido para o Rio de Janeiro, onde será submetido a exames especificos para identificar se está ou não com ebola.

Preocupação

Quem veio à unidade na manhã desta quinta-feira (11) teve que procurar atendimento em outro lugar. Dalcimara Daiane dos Santos, 26 anos, veio com a filha Alice, de um ano, que está com com febre, diarreia e tosse. "Vou ter que ir no Odilon".

Já a estagiária Gilmara Ornelas, de 35 anos, está na porta da UPA para acompanhar o que está acontecendo. "Conheço todo mundo aqui e fiquei preocupada porque aqui mal tem estrutura pra tratar quem está com dengue, imagina pra ebola. Acho que ele devia ser transferido para outro local".

Quem chega à unidade é apenas informado que o atendimento está suspenso. Ninguém da unidade está esclarecendo o que está acontecendo . Quem trabalha no local também está preocupado com o contágio da doença. "Aqui não tem estrutura. Eles falam que está isolado, mas ele tá em uma salinha", afirmou a funcionária.

O aposentado Izolino Amaro de Andrade, de 77 anos, contou que ontem à noite várias pessoas estavam perto do quarto onde o homem com suspeita de ebola foi isolado. A esposa dele, que está internada no local, esteve inclusive em um quarto ao lado. "O corredor estava cheio. Tinha várias pessoas perto. Só depois é que foram liberando as pessoas". De acordo com ele, o homem teria passado por um teste de malária que deu negativo.

Medo

Funcionários da UPA estão apreensivos na entrada do local. Eles querem ir embora e não estão conseguindo a liberação. Os enfermeiros acionaram o sindicato para intervir. "A gente não pode ir embora. O que vamos fazer? Não queremos ficar aqui", disse uma funcionária.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), Israel Arimar, na terça-feira 52 pacientes e 32 funcionários estavam no local quando o homem chegou.

Ele disse que recebeu informações de que todas as pessoas que ficaram próximas ao paciente estão sendo monitoradas. Como os funcionários estão apreensivos com a situação, veio para conversar com a diretoria da Upa para tentar a liberação deles.

Esperamos que não seja ebola porque se for não estamos preparados pra um caso desse", disse um funcionário