O número de mulheres no sistema prisional mineiro cresceu 173% em oito anos – contra 160% de mais presos homens no mesmo período. Entre 2007 e 2014, a população carcerária feminina no Estado saltou de 1.124 para 3.070, colocando Minas Gerais como o terceiro em maior quantidade de detentas no Brasil, perdendo apenas para o Rio de Janeiro e o Sergipe.

Já nos últimos 15 anos, o acréscimo de mulheres nas prisões de todo o país foi de 567%: passou de 5.601 para 37.380 detentas. A taxa é quatro vezes maior que o incremento geral de presos no Brasil (119%), também no período. Os dados são do relatório Infopen Mulheres, divulgado ontem pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça.

Os dados fornecidos por 1.424 unidades prisionais em todo o sistema penitenciário – estadual e federal – traçam um perfil atualizado das mulheres privadas de liberdade com base em escolaridade, cor, faixa etária, estado civil, natureza da prisão e tipos de crimes. Em geral, as detentas brasileiras são negras, jovens, pobres, têm filhos, são responsáveis pelo sustento familiar e possuem baixa escolaridade.
 
Tráfico

Em Minas Gerais, 66% das presas têm entre 18 e 34 anos. Apesar de o estudo não trazer por Estado o tipo de crime que elas cometeram, especialistas acreditam que seja o mesmo retrato nacional: 68% respondem por tráfico de drogas.

“Pelo histórico, vemos que o maioria delas foi para o sistema por causa desse tipo de crime, geralmente levadas pelo companheiro, seja o marido ou o namorado”, frisou o presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG), Anderson Marques.
 
Políticas públicas


“Pelo impacto que causa nas relações familiares e sociais, a prisão da mulher exige um olhar diferenciado tanto do gestor penitenciário quanto dos agentes do Poder Judiciário”, afirma o diretor-geral do Depen, Renato De Vitto, afirmando que o estudo busca auxiliar gestores no desenvolvimento e implementação de políticas voltadas às presas.

579 mil pessoas estão custodiadas no sistema penitenciário brasileiro, de acordo com os dados do Ministério da Justiça
 
(*) Com agências