Um radar conhecido popularmente como “dedo-duro” poderá ser a nova aposta da BHTrans para flagrar veículos em situação irregular. O equipamento identifica carros com pendências no licenciamento, roubados ou envolvidos em outros tipos de crime e envia os dados à polícia.

A empresa de trânsito avalia a instalação dos aparelhos para intensificar a remoção de carros irregulares das ruas. De janeiro a setembro deste ano, quase 14 mil veículos foram apreendidos em Belo Horizonte por envolvimento em crimes e pela falta de licenciamento, segundo o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG). No Estado, foram 69 mil recolhimentos apenas por falta de pagamento da taxa.

A tecnologia em análise na capital poderá ser a mesma adotada em rodovias e cidades de São Paulo. O sistema detecta ao mesmo tempo a situação do veículo e o excesso de velocidade. O equipamento é acoplado aos radares e fornece acesso imediato ao banco de dados de diversos órgãos, como secretarias de Segurança Pública e de Transportes.

Pelo rádio ou pela internet, um operador avisa sobre a ocorrência para que o veículo seja parado e recolhido. A BHTrans informou que não há data para a implementação dos radares “dedo-duro” nem estimativa de quantos equipamentos seriam instalados.

Atualmente, há 231 radares espalhados por BH, a maior parte que detecta avanço de sinal (112) e velocidade (87). A previsão é a de que a partir de janeiro a cidade passe a contar com 382 equipamentos.

NAS ESTRADA

Outra tecnologia nova, mas já em uso, é operada nas rodovias federais que cortam Minas com o intuito de inibir excessos dos motoristas. Chamado de radar-binóculo,o equipamento capta, por meio de raio infravermelho, a velocidade do veículo antes e depois que ele passa pelo ponto de fiscalização.

“Focaliza o carro, mostra a velocidade e, se houver avanço, o policial faz a autuação”, explica o inspetor Aristides Júnior, assessor de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A polícia também usa equipamentos estáticos, mas com alcance um pouco menor. Flagra irregularidades em até 1,5 quilômetro de distância. Já o radar-binóculo alcança até dois quilômetros. Porém, como não faz o registro fotográfico, é criticado pelo fato de a infração ser facilmente contestada.

103 MIL VEÍCULOS

foram apreendidos em minas de janeiro a setembro deste ano por falta de licenciamento e envolvimento em crimes

ALÉM DISSO

Um novo tipo de radar está sendo usado em São Paulo e Curitiba para flagrar motoristas apressados. O equipamento, comum na Europa, captura a velocidade média em um trecho da via. Desta forma, não adianta reduzir apenas próximo ao aparelho.

São usados dois equipamentos, um no início e outro no fim do trecho. Com isso, é possível calcular o tempo que o veículo leva para atravessar e, consequentemente, a velocidade média.

Porém, como a autuação pela velocidade média não está prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), os radares nas duas capitais funcionam apenas para fins estatísticos e em caráter educativo.

Em Belo Horizonte, não há a previsão de uso deste tipo de radar porque não são homologados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que não há nenhum estudo em andamento sobre a viabilidade técnica e operacional do sistema para as rodovias federais.

No primeiro semestre deste ano, foram aplicadas 225.442 multas em Belo Horizonte por excesso de velocidade. Em 2014, foram 464.950, que totalizaram R$ 48 milhões em arrecadação.

A multa para quem dirige acima da velocidade varia de R$ 85,13 a R$ 574,62. O condutor ainda perde de quatro a sete pontos na carteira, dependendo da gravidade.

Vigilância eletrônica no Anel e BR-040 com seis meses de atraso

Seis meses após serem instalados e sem aplicar nenhuma multa, 20 radares da BR-040 e do Anel Rodoviário de BH poderão ter o aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para funcionar. A Agência informou que convênio para início da operação seria encaminhado para assinatura da diretoria até hoje.

Os equipamentos foram instalados em um trecho de dez quilômetros do Anel, entre o bairro Califórnia, região Noroeste da capital, e o entroncamento com a BR-356, no Olhos D’Água (no Barreiro). Na BR-040, o trecho contemplado vai de Brasília a Juiz de Fora, na Zona da Mata. O início da operação também depende do aval da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Por mais de um ano, a Autopista Fernão Dias manteve 19 radares em operação, em caráter educativo, em função da demora na finalização do convênio entre ANTT e PRF. De fevereiro de 2014 a maio deste ano, 2,2 milhões de veículos foram flagrados em alta velocidade neste trecho da BR-381.