Sem nenhuma cerimônia, o casal “invadiu” e fez moradia em pleno bairro Sion, região Centro Sul da capital. E já há algum tempo chamam a atenção dos vizinhos, circulando livremente, sem se sentirem intimidados. Mas os tucanos, que fizeram ninho numa árvore da rua São João do Paraíso, são bem-vindos por quem mora ali. “É ótima essa convivência maior com a natureza, deixam a rua mais colorida”, diz a “vizinha de porta”, Maria Beatriz do Espírito Santo.
 
A professora conta que eles sobrevoam sem receio toda a rua, mas sempre um fica no ninho, vigiando o filhote. “Esta é a segunda cria deles, ano passado tinha outro, mas parece que foi comido por um gavião que também circulava por aqui”, lembra.

Ela diz que as aves também encantam quem apenas passa pela rua e os avista pela primeira vez. “Tem gente que desce do carro para fotografar”. A diarista Dayane Siqueira foi surpreendida por um voo rasante do animal. “É bonito! Eu não sabia que haviam tucanos vivendo aqui, é muito legal”, observa.

Segundo o biólogo, especialista em aves, Gustavo Perdersoli, Belo Horizonte está inserida numa região que é habitat natural destas aves, que se adaptam facilmente à cidade. “O tucano é uma ave da flora nativa, existem aqui na região, só eram pouco vistos. Agora parece que as pessoas estão observando mais. Temos relatos da ocorrência deles especialmente na zona sul, mas também na Pampulha, Belvedere”, diz.

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Segundo Gustavo, que é integrante da ONG Ecoavis, que trabalha com ecologia e observação de aves, cerca de 360 espécies diferentes de pássaros já foram identificadas nas áreas urbanas e parques da capital. Os tucanos, em especial, vivem bem na “selva de pedras”. “Eles são aves onívoras, que comem todo tipo de alimento, frutos, sementes e são predadores de pequenos filhotes de outras aves. Estão muito adaptados ao ambiente urbano”, explica.

Os tucanos podem ser vistos em bando ou sozinhos. E ao contrário do que muita gente imagina, o bico longo e imponente é bem frágil e leve. “O bico é formado por um osso esponjoso, para possibilitar que ele voe”.