Após sucessivos atrasos, um novo problema pode adiar, mais uma vez, a abertura do Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro, no Barreiro. Desde maio, a Prefeitura de Belo Horizonte não realiza repasse de recursos ao Consórcio Novo Metropolitano, responsável pela execução de obras de acabamento e de instalação de equipamentos hospitalares. O valor da dívida ultrapassa os R$ 13 milhões.

A primeira previsão era a de que, em abril, a unidade entrasse em operação de forma parcial. Após visita às instalações, em junho, o prefeito Marcio Lacerda mudou a data de inauguração para o fim de setembro e princípio de outubro. Agora, a prefeitura informa que o hospital deve começar a funcionar até o fim do ano.

Pendências

om a inadimplência, existe a possibilidade de nem mesmo esse prazo ser cumprido. No contrato de Parceria Público-Privada (PPP) firmado em 2012, a prefeitura se comprometeu a repassar ao consórcio cerca de R$ 3 milhões por mês, a partir de abril, por um período de 20 anos. Até agora, apenas 50% da primeira parcela foi paga.

Segundo uma fonte ouvida pelo Hoje em Dia, que pediu para não ser identificada, os atrasos inviabilizam o andamento das obras. “Embora muita coisa já esteja pronta, ainda há algumas pendências. Precisamos, por exemplo, testar a energia elétrica e equipamentos hospitalares que chegaram. Sem a contrapartida da prefeitura, não poderemos cumprir essa etapa”, disse.

Serviços de manutenção, logística e suprimentos de materiais também ficarão a cargo do consórcio. Sem dinheiro, insumos básicos em uma unidade de saúde também não puderam ser comprados até então. “Enquanto as prestações não forem quitadas e os pagamentos não começarem a ser feitos conforme o combinado, a instituição terá de permanecer fechada”, afirmou a fonte.

Resposta

Sem dar uma previsão de quando as contas deverão ser colocadas em dia, a Prefeitura de Belo Horizonte transferiu ao Estado e à União a responsabilidade pelos atrasos.

Em nota, a assessoria de imprensa se limitou a dizer que o funcionamento pleno do hospital depende de repasses dos governos. As negociações dos valores estão em andamento.

Moradores reclamam de atendimento restrito a UPA

A entrega do Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro é uma reivindicação antiga dos moradores do Barreiro. Sem nenhuma instituição de saúde de grande porte nas proximidades, toda a população é atendida em uma única Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) localizada no bairro Diamante.

“No entanto, a UPA deveria servir apenas para as urgências. Lá, não há estrutura para uma internação ou um tratamento mais longo”, afirma Clayton de Andrade, presidente da Associação do bairro Vale do Jatobá, um dos bairros mais antigos da Regional Barreiro.

Segundo ele, a maioria dos pacientes em estado mais grave precisa ser transferida para os hospitais da região Centro-Sul.

Prejuízo

O atraso da inauguração do estabelecimento também prejudica moradores da região metropolitana e até do interior de Minas.

Para se ter uma ideia, uma média de 3.500 cirurgias eletivas são agendadas, todos os meses, na rede municipal, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, 40% dos pacientes vêm do interior. A abertura de novos leitos de internação e de UTI aliviaria parte dessa sobrecarga.
O prefeito Marcio Lacerda já havia informado que cidades vizinhas como Contagem e Ibirité também seriam convidadas a contribuir, junto com a União e o Estado, com a manutenção do hospital. Em contrapartida, os municípios receberiam a garantia de reserva de leitos.

Estima-se que o funcionamento da unidade custará R$ 180 milhões por mês. A maior parte do valor deverá ser paga pelos governos federal e estadual.

Em julho, uma liminar questionou o concurso que contrataria enfermeiros para o hospital; segundo a PBH, medidas estão sendo tomadas para reverter a decisão judicial