Três mil novas vagas de residência médica serão oferecidas a estudantes brasileiros, a partir de 2016. Qualquer universidade poderá concorrer às bolsas e 75% serão voltadas para a formação de especialistas em Medicina Geral de Família e Comunidade.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (4) pelo governo federal, em balanço dos dois anos do programa Mais Médicos, em Brasília. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão prioridade no processo seletivo, por causa do déficit histórico de profissionais, segundo o Ministério da Saúde. Questionado sobre a situação em Minas, O Conselho Regional de Medicina (CRM-MG) informou que irá aguardar o posicionamento do Conselho Federal.

Instituições de ensino interessadas nas bolsas para residentes poderão se inscrever de 10 de agosto a 4 de outubro. As vagas devem começar a ser preenchidas no ano que vem. No Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), nenhum representante foi encontrado nesta terça-feira (4) para falar sobre a novidade.

Balanço

Criado em 2013 para melhorar o atendimento hospitalar nas regiões distantes e periféricas do país, o Mais Médicos foi alvo de polêmica e resistência dos profissionais de saúde, sobretudo pela possibilidade de contratação de médicos estrangeiros.

Em dois anos, 18.240 médicos foram contratados para trabalhar em 4.058 cidades e cerca de 30 distritos indígenas. Na avaliação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, o programa reverteu um déficit de atenção à saúde em algumas áreas do país.

“Ao longo dos 27 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), o atendimento estava comprometido, pois não tínhamos médicos para o atendimento básico. Hoje, temos o direito à atenção básica garantido a todos”, comparou.

Até 2018, a meta do governo é criar 11,5 mil vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência para formação de médicos em áreas prioritárias para o SUS. A contratação de 880 professores para as universidades federais que abriram vagas para medicina, ou que criaram novas faculdades, também foi autorizada.

Paciente satisfeito

Levantamento feito pelo Grupo de Opinião Pública da UFMG mostrou que 54% dos entrevistados deram nota dez ao programa, 84% disseram não ter tido dificuldade durante o atendimento e 84% elogiaram a qualidade da consulta. Dentre as dificuldades apontadas estão acesso aos medicamentos e demora na marcação de consultas.

63 milhões de brasileiros são beneficiados pelo programa mais médicos, o que corresponde a 24,6% da população