Consórcios responsáveis pelo transporte público de Belo Horizonte estão na bancarrota. Pelo menos é o que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) tenta provar. Depois de sugerir, há duas semanas, um reajuste extemporâneo nas tarifas, anunciou ontem medidas drásticas para honrar compromissos trabalhistas.

Algumas devem afetar diretamente a qualidade do serviço. Insinua-se até falta de diesel. Para depositar R$ 15 milhões de participação nos lucros e resultados (PLR) prometidos aos trabalhadores, diz nota do SetraBH, foi necessário adiar o pagamento de fornecedores de insumos essenciais, como combustível e pneu.

A data de quitação do PLR, exigência para o fim da greve dos trabalhadores deflagrada no início de junho, é a próxima quinta-feira. O compromisso, informa o SetraBH, impõe outros riscos além da suspensão do fornecimento de diesel.

Se não pagar a Tacom, empresa responsável pela tecnologia embarcada nos ônibus, a qualquer momento podem parar de funcionar os painéis eletrônicos que indicam o tempo estimado de chegada e partida. “O recurso disponível acabou”, alega a assessoria de imprensa do SetraBH.

DE PIRES NA MÃO

Os empresários tentam ainda adiar o acerto de contas com planos de saúde e de alimentação dos empregados. Outra frente de negociação busca a compreensão de instituições bancárias financiadoras do Move. Para o sindicato, se não houver acordo, existe a possibilidade de veículos serem confiscados.
“O SetraBH se viu obrigado a suspender os pagamentos para quitar a PLR, corrigida pelo INPC, e do adiantamento salarial dos funcionários do sistema de transporte. A decisão impõe riscos”, justifica a nota do sindicato.

NOVO ESTUDO

Ainda ontem, horas antes de prenunciar o “caos” no transporte público, o mesmo SetraBH sugeriu um reajuste tarifário de 11,8%. Com isso, o valor da passagem predominante saltaria de R$ 3,10 para R$ 3,45.

Para chegar ao índice, o sindicato realizou estudo sobre a necessidade de revisão contratual. O levantamento levou em consideração, dentre outros itens, a implantação do Move.

No último dia 29, o valor sugerido pelo mesmo estudo (agora revisado) tinha sido de R$ 3,50 (12,83%). Segundo o SetraBH, verificou-se a necessidade de se reavaliar formas de estimar custos e receitas futuras.